quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Documentário Panair do Brasil

Sinopse: Panair do Brasil é um documentário que resgata a história da empresa pioneira na aviação comercial brasileira, símbolo de modernidade e eficiência. A empresa viveu o seu auge na era JK. Ao tomar o poder, o regime militar passou a perseguir a Panair do Brasil e seus dirigentes resultando na cassação de suas linhas aéreas em 1965. O filme mostra como a Panair do Brasil sobrevive ainda hoje no coração e na esperança da chamada Família Panair, composta por antigos funcionários e seus descendentes, que sonham com a volta de seus aviões aos céus brasileiros.

 

panair

Panair Do Brasil

Direção: Marco Altberg
Produção: Indiana/M.Altberg Cinema & Vídeo
Ano de produção: 2007
Duração: 70 min
Gênero: Documentário
Nacionalidade: Brasil

Panair do Brasil (2009) - TRAILER OFICIAL

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O corpo de Nefertiti

Nefertiti é solicitada formalmente

O busto da Rainha Nefertiti retirada do Egito de formas duvidosa, em 2003 é perfurado para para uma exposição do Little Warsaw, cujo projeto era composto por uma escultura feminina nua feita de bronze, a qual, no local de seu pescoço existia um vão que serviu para encaixar a cabeça de calcário da rainha.

Em (24/01/2011) o Ministério da Cultura do Egito fez um pedido formal de repatriação do busto da rainha Nefertiti ao Museu Neues (Alemanha).

Depois de negociações que vem se arrastando há décadas o Ministério da Cultura do Egito resolveu fazer uma solicitação formal de devolução do busto da rainha Nefertiti, que saiu do país sob circunstâncias de teor duvidoso durante a triagem de artefatos realizados pelos egípcios e o arqueólogo alemão Ludwig Borchardt em 1912.

Rainha Nefertiti. Foto: M. Busing.

A solicitação foi transmitida através de uma carta destinada ao presidente da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, em Berlim, e o Ministério das Relações Exteriores do Egito para que o envie a embaixada egípcia na Alemanha e o da Alemanha no Cairo.

O busto de Nefertiti é uma das muitas peças requeridas pelo o Egito, mas está no topo da lista pela a luta do repatriamento por que, além de ser um ícone e única, a batalha para a sua devolução se arrasta desde meados do século passado.

Entenda o que aconteceu em 1912

Na época de Ludwig Borchardt os arqueólogos estrangeiros poderiam retirar artefatos encontrados em sua escavação e levá-los para fora do Egito, mas isto somente depois de que os achados passassem por uma avaliação onde os artefatos “mais bonitos” ficariam na África e os menos atraentes sairia do país.

Sabe-se que durante a triagem Borchardt teria já dividido os artefatos em dois grupos onde o lado egípcio estaria com artefatos montados já em uma base, o que chamou a atenção do fiscal que não teria prosseguido com a inspeção acreditando que Borchardt já teria feito todo o trabalho para ele e não examinou o lado que iria para a Alemanha. Logo, o busto saiu do Egito “legalmente”, embora, quando chegou a Alemanha tenha permanecido escondido e ser revelado somente anos depois. 

Até o próprio Hitler se recusou a devolver o busto

Durante o curso da Segunda Guerra acordos diplomáticos para se devolver o busto para o seu país de origem foram realizados, mas Hitler se recusou permanentemente a devolver o artefato. E desde que a Alemanha foi tomada ao final dos conflitos o busto mudou de endereço várias vezes.

Uma atitude que enfureceu os egípcios

Não bastasse a negação em se devolver o busto, em 2003, o Museu de Berlim permitiu que a base do artefato fosse furada para dar entrada a um parafuso para uma exposição do Little Warsaw, cujo projeto era composto por uma escultura feminina nua feita de bronze, a qual, no local de seu pescoço existia um vão que serviu para encaixar a cabeça de calcário da rainha.

Nefertiti / The Body of Nefertiti - 2003. Retirado de Acax.hu -Little Warsaw. Acesso em 24 de janeiro de 2011

Para poder encaixar com a estátua de bronze o busto precisou ser perfurado. Retirado de Little Warsaw. Acesso em 24 de janeiro de 2011

Nefertiti na obra do Little Warsaw. A imagem causou indignação em várias pessoas. Retirado de "The Body of Nefertiti". Acesso em 24 de janeiro de 2011

O governo egípcio diz que não foram consultados sobre este projeto e questionaram fortemente a capacidade do museu de Berlim para cuidar da coleção de artefatos egípcios e consideraram a atitude ofensiva para a imagem da rainha egípcia, além de perigosa, como comentou o embaixador do Egito em Berlim, Mohamed al-Orabi: ”Nós não aceitamos que essa importante estátua da rainha Nefertiti tenha sido posta em risco por esse projeto idiota”[1].

Quais as desculpas para não se repatriar?

Dentre várias justificativas estas foram algumas utilizadas não só pela a Alemanha, mas outros países europeus para não se devolver o busto:

- Países de terceiro mundo não têm capacidade financeira de manter um artefato tão valioso;

- Os egípcios atuais não têm nenhuma ligação com os egípcios da antiguidade, logo, a questão da “herança” ou “patrimônio” não é válida;

- O busto saiu do Egito legalmente;

- O artefato seria danificado durante o transporte;

- Usando o exemplo dos Budas destruídos no Afeganistão os países árabes de governo extremista podem destruir os seus próprios artefatos – mas não podemos esquecer que o busto de Nefertiti quase foi destruído em um bombardeio durante a 2ª Guerra Mundial -. 

Por que repatriar?

- As circunstancias as quais o artefato saiu do Egito sugere que o seu descobridor agiu de má fé com as autoridades egípcias ao esconder o busto da rainha por trás de vários objetos visivelmente menos atraentes do que o do lado egípcio;

- O Egito possui capacidade e tecnologia para guardar o busto no país;

- Embora o patrimônio egípcio seja herança do mundo, sua verdadeira casa é o seu país de origem.

Veja também:

◘ Documentário Nefertiti’s Odyssey (No Brasil “Nefertiti”)

Produzido em 2008 pela National Geographic, conta sobre a história de Ludwig Borchardt e como retirou fortuitamente do artefato do Egito, além de explanar sobre as documentações existentes relacionadas ao caso e o diário de Ludwig Borchardt, onde ele demonstra saber do valor incalculável do busto da rainha para os egípcios e o seu desejo de levá-lo para a Alemanha.  

A Alemanha lança seu primeiro comentário sobre o assunto:  Alemanha nega pedido egípcio

Por Márcia Jamille Costa

Fonte da notícia:

Egipto reclama el regreso de Nefertiti  – Público.es. Disponível em <http://www.publico.es/culturas/357837/egipto-reclama-el-regreso-de-nefertiti> Acesso em 24 de Janeiro de 2011.

Fontes consultadas:

[1] Nefertiti’s Bust Gets a Body, Offending Egyptians Disponível em <http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9905EEDF163BF932A15755C0A9659C8B63> Acesso em 24 de Janeiro de 2011.

Fonte das imagens:

Nefertiti na obra do Little Warsaw. A imagem causou indignação em várias pessoas. Retirado de The Body of Nefertiti. Disponível em <http://www.theintellectualdevotional.com/blog/category/visual-arts/page/4/> acesso em 24 de janeiro de 2011

Nefertiti e Little Warsaw. Retirado de Acax.hu -Little Warsaw. Disponível em <http://www.acax.hu/index.php?pageid=221&language=en > acesso em 24 de janeiro de 2011

Para poder encaixar com a estátua de bronze o busto precisou ser perfurado. Retirado de Little Warsaw. Disponível em <http://www.littlewarsaw.com/displaced_history/img/united_nefertiti.jpg > acesso em 24 de janeiro de 2011

http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/01/24/nefertiti-e-solicitada-formalmente/

Um exemplo para vencer o racismo e preconceito

"DOIS IRMÃOS DEU EXEMPLO AO BRASIL"

:
Conheça a inspiradora história de Tânia Terezinha da Silva, a primeira prefeita negra de uma cidade gaúcha colonizada por alemães; "no Brasil, o racismo existe, mas é velado", afirma
13 DE FEVEREIRO DE 2013 ÀS 09:25
Samir Oliveira, do Sul 21
Tânia Terezinha da Silva desembarcou na cidade de Dois Irmãos pela primeira vez no início da década de 1990. Nascida e criada na Vila Rosa, em Novo Hamburgo, ela resolveu tentar a sorte em um concurso público para técnico em enfermagem – profissão que aprendeu durante o Ensino Médio, na escola Santa Catarina. "Eu não sabia que, a partir daquele momento, minha vida iria mudar", conta.
Ela conseguiu, na época, ficar em primeiro lugar no concurso. Durante os dois primeiros anos, dividia seus dias no percurso entre Dois Irmãos e Novo Hamburgo, onde o marido e os filhos moravam. "Mas aí comecei a me apaixonar pela cidade, que é simples e tranquila. Os pátios das casas não tinham grades, eram abertos. Pensei: é nesse lugar que quero criar meus filhos", recorda.
Quando decidiu se mudar para a cidade de 27 mil habitantes e forte colonização germânica, Tânia sequer possuía filiação partidária e jamais poderia imaginar que um dia fosse ser eleita a primeira prefeita mulher e negra do município.
No início, logo que chegou na cidade, começou a trabalhar em uma unidade móvel de saúde. "Percorríamos todos os bairros e escolas, então pude conviver com muita gente. Íamos inclusive para localidades onde as famílias falam quase que exclusivamente alemão", comenta.
Em 1995, veio o convite para que se filiasse ao PMDB e, em 1996, Tânia conseguiu se eleger a quarta vereadora mais votada da cidade. Cargo que ela considera "ingrato", já que o parlamentar não pode formular leis que impactem no orçamento municipal.
Em 2000, ao não conseguir a reeleição, ela assumiu a coordenação do posto 24 horas que, na sua definição, é uma espécie de HPS de Dois Irmãos. "Todas as urgências do município se concentram lá".
Foi no posto que Tânia continuou colocando em prática a premissa que adota e que a levou a optar pela área da saúde. "Sempre trabalhei no atendimento à pessoa como um todo. Quando vamos vacinar uma criança, não podemos olhar somente a carteirinha e o braço. É preciso olhar o entorno. Como está essa criança e sua família?", explica.
Ela estava gostando tanto do trabalho que se recusou a participar das eleições de 2004, apesar dos apelos do partido para que concorresse. Em 2008, tentou manter a mesma postura, mas acabou sendo persuadida, já que o PMDB precisava cumprir a cota de 30% de mulheres na nominata para a Câmara Municipal.
Quando abriram as urnas, a surpresa: 2.055 votos, marca ainda imbatível na cidade. Em 2012, o vereador mais votado obteve 1.471 votos. Neste mandato, ela conseguiu a unanimidade dos colegas para ser a presidente da Câmara.
A campanha à prefeitura
Após o desempenho eleitoral de 2008, o nome de Tânia Terezinha da Silva apareceu em primeiro lugar em todas as pesquisas realizadas pelos partidos de sua coalizão (PMDB-PP-PTB) para a disputa pela prefeitura de Dois Irmãos. Foi assim que ela acabou sendo escolhida candidata, numa chapa ao lado do atual vice-prefeito Jerri Adriani Meneghetti (PP), a quem ela chama de "menino".
"Os partidos tiveram muita coragem ao acreditar no meu nome e no do Jerri. Ele é um jovem de 33 anos. Eu o chamo de menino. Não que eu seja muito velha", brinca a prefeita, que aparenta ter menos que os 49 anos de vida que possui.
Tânia garante que campanha foi feita de porta em porta, sem grandes aparatos. "Nos grandes municípios, existe muito marketing político. Nas cidades pequenas, a campanha é no corpo a corpo. As pessoas querem a visita do candidato", observa.
A agenda iniciava às 7h da manhã, na porta das fábricas. Às 8h30, Tânia iniciava a visita nas casas da população. O horário não foi escolhido por acaso. "É nesse horário que acaba o programa da Ana Maria Braga. As pessoas gostam de assistir, não dá pra incomodar", entende. O mesmo ritual era repetido à tarde, quando as visitas começavam somente depois das 14h, pois a candidata procurava respeitar "a dormidinha que as pessoas dão depois do almoço".
A prefeita diz que não abre mão do contato direto com a população. "A pessoa te olha no olho e precisa desabafar sobre os problemas. Esse encontro com o eleitor é mágico", classifica. Ela entende que os políticos deveriam se fazer mais presentes junto à população. "Muitas vezes nós, políticos, deixamos de ir aos lugares por medo de sermos cobrados pela população. Temos o dever de ir, mesmo sendo cobrados. A pessoa pode até reclamar que não estou conseguindo resolver algum problema da cidade, mas não vou deixar de estar presente, não serei omissa. Precisamos enfrentar as situações de cabeça erguida", aconselha.
O resultado desse trabalho na campanha veio no dia 7 de outubro de 2012, quando a maioria dos 19.285 eleitores que compareceram às urnas escolheram Tânia. Foi uma vitória apertada: 9.450 votos para ela e 8.840 votos para o ex-prefeito Gerson Schwngber (PT).
"Racismo no Brasil é velado"
Tânia Terezinha da Silva despista ao ser questionada sobre o racismo em cidades pequenas do Rio Grande do Sul. "Não posso dizer que existe nem que não existe preconceito e racismo em cidades menores", tangencia. Mas reconhece que "no Brasil, o racismo existe, mas é velado".
"A cidade não enxergou minha cor de pele, não votou em mim por ser negra, branca ou amarela" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Ela observa que, em uma cidade pequena, qualquer forasteiro é alvo de conversa nas rodas de chimarrão. "Mesmo se chegar uma pessoa loira de olhos verdes em uma cidade pequena, as pessoas se cutucam e comentam de onde ela vem e o que ela faz". A tática dela ao chegar em Dois Irmãos – numa época em sequer pensava que ingressaria na política institucional – foi esperar. "É preciso conhecer o ambiente e deixar o ambiente te conhecer. Não posso dizer que sofri preconceito devido à minha cor em Dois Irmãos", confessa.
Tânia considera que a cidade mandou uma mensagem com sua eleição. "Dois Irmãos deu um exemplo ao Rio Grande do Sul, ao Brasil e a todos nós, negros. A cidade não enxergou minha cor de pele, não votou em mim por ser negra, branca ou amarela. Votou por acreditar que podíamos fazer o melhor pela comunidade", entende.
O único ressentimento da prefeita é justamente a repercussão que sua vitória está tendo. "A eleição teve um impacto e uma mídia muito grandes, eu não esperava. Isso serve para uma reflexão: eu não gostaria que minha vitória tivesse repercussão. Eu gostaria que fosse a coisa mais normal do mundo. Não gostaria de aparecer na imprensa por ser a primeira mulher e primeira negra prefeita de Dois Irmãos", desabafa.
Tânia é uma apreciadora das metáforas. Gosta de dizer que a vida é como um rio e deve seguir um curso natural. Angustiada por não poder resolver todos os problemas da cidade de uma só vez, ela está aprendendo, em pouco mais de um mês como prefeita, que a burocracia e a administração eficiente impõem tempo aos gestores públicos.
"Muitas vezes as pessoas param na minha frente para pedir emprego ou atendimento em hospital. Temos que ter em mente o princípio da impessoalidade. O coletivo é maior do que uma pessoa pedindo melhorias. Sou cobrada já no primeiro mês, dizem que nada mudou. E sei que vou continuar sendo cobrada. Mas um edifício não se constrói de cima para baixo", diz, utilizando mais uma metáfora.
Enquanto realiza um diagnóstico sobre os problemas e soluções para Dois Irmãos, a prefeita tem muitos projetos em mente e, pelo menos, uma certeza: fará o possível para que sua mãe, que tem 84 anos, não tenha motivos para se preocupar com sua vida política.
"Na minha posse, ela ficou feliz e, ao mesmo tempo, com pena. Olhar de mãe é olhar de mãe. Sabe aquela música: 'Olha aí, é o meu guri, olha aí...'? Ela me olhava como quem pensa: 'Que bom que minha filha chegou até lá, mas coitada! Ela vai ser massacrada, vão judiar dela'.
http://www.brasil247.com/+z7s1s


























domingo, 10 de fevereiro de 2013

Um meteoro destruiu os dinossauros

Com a destruição dos grandes dinossauros surgiu a oportunidade dos mamíferos

Este poderá ter sido o antepassado comum a quase todos os mamíferos

Visão de artista do hipotético antepassado da maioria dos mamíferos CORTESIA DE CARL BUELL

Ao combinar uma enorme massa de dados genéticos e anatómicos, foi possível descrever e datar o "pai" de todos os mamíferos placentários - dos roedores aos elefantes, dos mamíferos marinhos aos humanos

A MORTE CAIU DO CÉU

Cientistas norte-americanos, holandeses e britânicos recalcularam as datas da extinção dos dinossauros e do impacto do asteróide ou cometa que deixou uma cratera de quase 180 quilómetros de diâmetro ao largo da costa de Iucatão, no México. E concluem hoje na revista Science que os dois acontecimentos - a extinção definitiva dos dinossauros, assinalada nos sedimentos fósseis, e a queda de um objecto cósmico com 10 quilómetros de diâmetro - foram simultâneos.

Estudos anteriores sugeriam que essa extinção maciça de espécies tinha acontecido uns 300 mil anos antes do cataclismo. Mas os novos cálculos, que recorreram a técnicas de datação de alta precisão, permitiram reduzir essa diferença para apenas 33 mil anos, tornando as duas datas praticamente idênticas.

O impacto aconteceu há 66.038.000 anos - e foi o "golpe de graça" para os grandes dinossauros terrestres e muitas criaturas marinhas, diz Paul Renne, co-autor, em comunicado da Universidade da Califórnia. "O impacto foi claramente a última gota, empurrando a Terra para um ponto sem retorno. Portanto, teve um papel decisivo nas extinções", salienta.

Porém, Renne adverte que "esse não terá sido o único factor". O clima global já vinha sofrendo variações drásticas há um milhão de anos, o que colocara muitas espécies à beira da extinção. "Isso tornou o ecossistema muito mais sensível a mudanças relativamente pequenas, que noutras circunstâncias teriam tido um impacto menor." A.G.

Um bichinho pouco maior do que um ratinho, focinho em ponta, dentes afiados, pêlo castanho-acinzentado, cauda longa e peluda. Pesa menos de meio quilo e alimenta-se de insectos. Desloca-se agilmente de um lado para outro. Viveu há uns 65 milhões de anos, depois de os dinossauros terrestres e os grandes répteis terem sido varridos da face da Terra.
Não é totalmente seguro que tenha sido esse o seu aspecto e comportamento exactos: ninguém até aqui encontrou os seus restos fósseis. Mas um estudo de uma equipa internacional, hoje publicado na revista Science, conclui que o antepassado comum às cerca de 5100 espécies de mamíferos que povoam o nosso planeta - e cujas fêmeas geram a sua prole dentro do útero, numa placenta - era muito provavelmente parecido com este animalzinho.
Um grupo de 23 investigadores - do Museu Carnegie de História Natural (EUA), do Museu Americano de História Natural (EUA), de várias universidades norte-americanas e de uma universidade canadiana - finalizou um projecto iniciado há seis anos (e financiado pela National Science Foundation dos EUA) designado ATOL (Assembling the Tree of Life). O trabalho é o primeiro a combinar, em grande escala, dados vindos da análise ao ADN de uma série de espécies vivas de mamíferos ditos "placentários" com dados morfológicos de espécies vivas e extintas do mesmo tipo de mamíferos. Os mamíferos placentários vão dos roedores aos elefantes, das baleias aos gatos, aos cães e aos humanos. Trata-se de facto de todas as espécies de mamíferos, excepto os marsupiais (cangurus) e um punhado de espécies que põem ovos (como o ornitorrinco).
Para além de conferir um rosto possível ao nosso longínquo antepassado primordial, os resultados hoje revelados poderão pôr fim a um debate que dura há décadas: o de saber quando é que os mamíferos conquistaram a Terra. Será que a sua "explosiva" diversificação e expansão foram desencadeadas, há menos de 65 milhões de anos, pelo facto de os dinossauros - juntamente com 70% das outras espécies - terem desaparecido na sequência da colisão de um meteorito ou de um cometa com a Terra, deixando livre um importante nicho ecológico? Ou será que, tal como estipula uma teoria concorrente, a explosão evolutiva dos mamíferos aconteceu, pelo contrário, muito antes do fim dos dinossauros e dos répteis gigantes, devido à fragmentação de um hipotético supercontinente, baptizado Gondwana, que se pensa terá dado origem aos actuais continentes e subcontinentes austrais (América do Sul, Índia, Austrália e Atárctida)?
Os novos resultados abonam a favor da primeira opção. Sugerem fortemente que, se um cataclismo cósmico não tivesse dado o "golpe de graça" aos tiranossauros, diplodocos e outros ferozes gigantes, há pouco mais 66 milhões de anos (como indica a mais recente e precisa datação desse evento, anunciada na mesma edição da Science - ver caixa), poderíamos não estar aqui para contar a história.
O problema com o ADN
A partir dos anos 1990, a genética permitiu estruturar a genealogia das espécies ao nível molecular. Só que os resultados das análises de ADN contradiziam as datações obtidas a partir do registo fóssil, fazendo aparentemente recuar, em dezenas de milhões de anos, o início da expansão dos mamíferos.
A questão é que o ADN sozinho não chega para reconstituir a história das espécies, tal como as provas genéticas forenses não chegam para resolver um crime. "Desvendar a árvore da vida é como juntar os elementos encontrados na cena de um crime", diz Maureen O"Leary, da Universidade de Stony Brook (EUA) e líder da equipa, em comunicado do Museu Americano da História Natural. "As ferramentas genéticas acrescentam informações importantes, mas também são precisos outros indícios físicos - um cadáver, por exemplo. E nas ciências da vida, são precisos fósseis e dados anatómicos. É a combinação de todos esses dados que produz a reconstituição mais informada do passado." Foi essa integração dos dois tipos de atributos, genéticos e físicos, que a equipa fez com um nível de pormenor sem precedente.
Outros estudos já tinham associado a genética dos animais a várias centenas de características morfológicas, explica um comunicado do Museu Carnegie. Mas desta vez, graças a uma aplicação Web chamada MorphoBank, acessível em www.morphobank.org, os cientistas puderam cruzar a genética com milhares de elementos multimédia (imagens, descrições, dados quantitativos, etc.) relativos uns 4500 traços físicos de cerca de 85 espécies de mamíferos placentários. "Olhámos para todos os aspectos da anatomia dos mamíferos, do crânio ao esqueleto passando pelos dentes, os órgãos internos, os músculos e até os padrões da pelagem", diz o co-autor John Wible, do Museu Carnegie.
A nova árvore da vida é a mais completa de sempre. E mostra que os mamíferos placentários surgiram rapidamente a seguir à extinção dos dinossauros, 200 mil a 400 mil anos depois do cataclismo que acabou com eles. "A nossa estimativa temporal é cerca de 36 milhões de anos mais tardia do que a estimativa puramente baseada nos dados genéticos", diz Marcelo Weksler, co-autor actualmente na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, isto sugere que a fragmentação do Gondwana não teve nada a ver com a expansão dos mamíferos. E foi também com base nos novos resultados que um artista pintou o retrato do nosso hipotético antepassado.

ANA GERSCHENFELD

http://www.publico.pt/ciencias/jornal/este-podera-ter-sido-o-antepassado-comum-a-quase-todos-os-mamiferos-26028677

A Terra e as ameaças cósmicas

 

Asteroide de 50 metros vai passar muito perto da Terra em 15 de fevereiro

Apesar de não haver riscos de colisão com nosso planeta, Nasa afirma que passagem tem maior aproximação já observada pelos cientistas

2012 DA14 - Asteroide de 50 metros vai passar muito perto da Terra em 15 de fevereiro (Foto: Reprodução/NASA)Ilustração criada pela Nasa para mostrar a Terra e um asteroide (Foto: Reprodução/NASA)

No próximo dia 15 de fevereiro, um asteroide com metade do tamanho de um campo de futebol irá passar a apenas 28 mil quilômetros da superfície da Terra - distância considerada pequena para a astronomia. Não há perigo de colisão com nosso planeta, mas o corpo espacial, chamado de 2012 DA14, chamou a atenção da agência espacial americana (Nasa). 

“Essa é uma passagem com aproximação recorde”, disse Don Yeomans, cientista do Near-Earth Object Program, programa que ajuda a encontrar e rastrear objetos próximos ao planeta Terra. “Desde que as pesquisas espaciais regulares começaram na década de 1990, nós nunca vimos um objeto tão grande como esse passando tão perto da gente.”

O 2012 DA14 é provavelmente formado por pedra e mede cerca de 50 metros de largura - um tamanho considerado médio, já que asteroides podem ter a dimensão de uma bola de futebol, ou até mesmo ser grandes rochas com muitos quilômetros de largura. Yeomans estima que asteroides semelhantes ao DA14 passem próximo à Terra de 40 em 40 anos.

Meteor Crater ("Cratera do Meteoro", em português), localizada no Arizona, Estados Unidos (Foto: Reprodução/NASA)Meteor Crater ("Cratera do Meteoro", em português),
localizada no Arizona, Estados Unidos
(Foto: Reprodução/NASA)

Segundo a Nasa, o impacto de um asteroide de 50 metros de largura com o nosso planeta não traz grandes riscos, exceto aos que estão imediamente embaixo dele. A cratera conhecida como “Cratera do Meteoro” (foto ao lado), em Winslow, Arizona, nos Estados Unidos, foi formada pela colisão de um objeto de tamanho semelhante há 50 mil anos. 

Ainda assim, Yeomans garante: “2012 DA14 definitivamente não vai atingir a Terra. A órbita do asteroide é conhecida bem o suficiente para descartarmos um impacto”. Mas, de fato, passará bem perto de nós. O cientista afirma que o asteroide vai cruzar a região onde a Estação Espacial Internacional e muitos satélites de observação estão localizados. Porém, “as chances de um impacto com um satélite também são muito remotas”.

Segundo Yeomans, quando o asteroide passar perto da Terra, em 15 de fevereiro, será possível ver sua luz brilhante apenas por meio de telescópios. Ainda assim, a visualização do evento requer certa prática, já que a velocidade do objeto será muito rápida. Infelizemnte, “somente os astrônomos amadores mais experientes terão sucesso”.

http://revistaepoca.globo.com/Ciencia-e-tecnologia/noticia/2013/01/asteroide-de-50-metros-vai-passar-muito-perto-da-terra-em-15-de-fevereiro.html

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cartas de Domigos Jorge Velho

 

Bandeirante conta como destruiu Palmares ( 1694)

 

Serra da Barriga Vista 6 2

1694

Destruição de Palmares

Durante quase cem anos, o quilombo dos Palmares, na serra da Barriga, hoje estado de Alagoas, resistiu às expedições militares enviadas pelos senhores de engenho e autoridades brancas, fossem elas portuguesas ou holandesas. Inicialmente, o quilombo não passava de uma pequena aldeia, com apenas algumas dezenas de escravos fugidos das plantações de açúcar da região. Mas cresceu a tal ponto que, em 1670, contava com 50 mil habitantes, em dezenas de vilas fortificadas, espalhadas por vasta área. Temendo que o exemplo de Palmares terminasse inviabilizando o regime de trabalho escravo, o governo português determinou sua liquidação a qualquer custo. O bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi contratado para levar a cabo a missão, recebendo carta branca das autoridades. Palmares deixou de existir em fevereiro de 1694, com o massacre de seus defensores, mas o chefe dos quilombolas, Zumbi escapou ao cerco e ainda resistiu nas matas por mais um ano, até ser morto. As cartas abaixo, de Domingos Jorge Velho, informam às autoridades sobre o cerco e a destruição de Palmares.

Primeira carta

“ ... Certifico que assistindo neste sertão do Palmar, fazendo guerra aos negros levantados que nele habitam, vendo-os fortificados com uma cerca tão grande e com inumerável poder deles juntos dentro dela, me foi forçoso pedir ao senhor governador e capitão general Caetano de Melo e Castro me socorresse com gente para poder de uma vez acabar com os ditos negros, e o fez o dito senhor tão prontamente que com todo o segredo e brevidade chegou o dito socorro de gente paga e ordenanças em 15 de janeiro e a 16 marchei a pôr em sítio o dito negro que constava a sua cerca de uma légua em roda, e me pus em um plaino sobre a dita serra, e na fronteira de outro plaino mandei a situar o capitão-mor Bernardo Vieira de Melo por ser a parte de mais risco. (...) e por indústria sua fabricou uma cerca com os escravos e soldados em roda da dos ditos negros que constava de duzentos e setenta braças de pau-a-pique a cuja imitação foram os mais cabos fazendo o mesmo nas suas testadas que defendiam sendo por esta sua indústria lograda a melhor segurança do dito sítio, sendo em 23 do dito mês que fiz a primeira avançada ao dito negro que não pude romper nem chegar à dita cerca pelos inumeráveis fossos e estrepes que tinham (...).

Outeiro do Barriga em 30 de janeiro de 694

Domingos Jorge Velho

Segunda carta

“Certifico que assistindo neste sítio e cerco em que pus aos negros levantados do Palmar depois de estarem em sítio vinte e dois dias no último em que se contavam os ditos vendo-se o dito negro oprimido do dito cerco se resolveu a romper com todo o risco albaroando por duas partes a em que estava o capitão-mor Bernardo Viera de Melo que os rechaçou por estilo que os fez obrigar a despenharem-se por um rochedo, tão inopinável que os mais deles pereceram e se espedaçaram pelo dito rochedo, obrigados das cargas com que os veio sacudindo o dito capitão-mor com sua gente, sendo em duas horas depois da meia-noite, que logo a essa começaram os seus a matar e aprisionar os ditos negros, que ainda lhe feriram três homens com as cargas que lhe deram, dois de balas e um de flecha; e o dito capitão-mor em todo esse dia, desde as ditas duas horas depois da meia-noite, lidou com todos os seus no alcance do dito inimigo, aprisionando e matando muitos, e veio pessoalmente a buscar-me para que desse pessoalmente calor no alcance do dito inimigo o que fiz e em minha companhia andou com tal desvelo e cuidado que não havia cousa que não soubesse advertir e prontamente acudir e se recolheu ao seu posto ao pôr-do-sol com cinqüenta e oito pessoas que me mandou entregar sendo muitos os mortos que os seus pelas brenhas mataram, e no tal dia ainda se lhe estreparam dois homens no alcance do dito inimigo em cujo alcance se mataram mais de duzentos negros e se aprisionaram perto de quatrocentos (...).

Outeiro do Barriga em 8 de fevereiro de 694.

Domingos Jorge Velho”

Terceira carta

“Certifico que depois do sítio em que pus os negros do Palmar na última desesperação, da qual se urgiu a sua total destruição, em a qual se houve o capitão-mor Bernardo Viera de Melo com todo o valor, zelo e boa disposição, no seguinte dia, que foi em o de 7 de fevereiro lançou a primeira tropa em que mandou toda a sua gente que achou capaz de seguirem o alcance de alguns negros que pudessem ter escapado por entre os matos e andaram dois dias correndo a campanha por muitas brenhas e serras, e degolaram aos que puderam pelas tais brenhas descobrir, e trouxeram duas negras prisioneiras, que por mulheres lhes perdoaram a vida (...).

Outeiro do Barriga 9 de fevereiro 1694.

Domingos Jorge Velho.”

Franklin Martins

http://www.franklinmartins.com.br/estacao_historia_artigo.php?titulo=bandeirante-conta-como-destruiu-palmares-1694

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Rei Ricardo 3º encontrado no estacionamento

Cientistas confirmam ter achado esqueleto do rei Ricardo 3º na Inglaterra,o rei corcunda descrito como um tirano corcunda por Shakespeare

 

Crânio e retrato de Ricardo 3º (Fotos: Universidade de Leicester e Jeff Overs e coleção da Society of Antiquaries de Londres)

A BBC ganhou acesso exclusivo às imagens do esqueleto do rei inglês Ricardo 3º. Os ossos foram desenterrados por arqueólogos no ano passado. Nesta segunda-feira, após inúmeros testes, a identidade foi confirmada.

  • Esqueleto (Foto: Universidade de Leicester e Jeff Overs)
  • Coluna (Fotos: Universidade de Leicester e Jeff Overs)
  • Crânio (Fotos: Universidade de Leicester e Jeff Overs)
  • Especialista examina esqueleto (Fotos: Universidade de Leicester e Jeff Overs)
  • Os ossos do rei

Cientistas britânicos confirmaram nesta segunda-feira que um esqueleto encontrado em um estacionamento na cidade inglesa de Leicester é do rei Ricardo 3º, que governou o reino da Inglaterra no século 15.

Retratado por Shakespeare como um tirano corcunda, Ricardo foi morto na Batalha de Bosworth, em 1485, mas seus restos mortais haviam se perdido com o tempo.

O esqueleto – que apresentava a coluna curvada – foi encontrado em setembro. Desde então, arqueólogos vinham realizando inúmeros testes para comprovar sua identidade.

Agora, cientistas da Universidade de Leicester disseram que o DNA encontrado nos ossos corresponde ao dos descendentes do monarca.

Os restos do rei serão agora enterrados na Catedral de Leicester.

Escoliose

O arqueólogo que liderou a pesquisa, Richard Buckley, disse que os ossos foram submetidos a "estudos acadêmicos rigorosos".

Foi concluído que os ossos pertenciam a um homem que em torno de 30 anos. Ricardo 3º tinha 32 quando foi morto.

Seu esqueleto mostrou sinais de dez ferimentos, incluindo oito no crânio – dois deles potencialmente fatais.

Ricardo 3º costumava ser retratado por alguns historiadores como uma pessoa "deformada" – e realmente, pelo esqueleto, pode-se observar que sua coluna era bastante curvada por causa de uma escoliose.

No entanto, não foram encontradas indícios de outros problemas descritos pelos estudiosos em caracterizações exageradas do rei.

Esquecimento

Em 1483, logo após a morte de seu irmão, Ricardo foi nomeado como tutor de seu sobrinho, Eduardo 5º. Mas, em vez disso, Ricardo assumiu o poder.

Após apenas dois anos, ele foi morto na batalha de Bosworth, após ser desafiado pelo futuro rei Henrique 7º.

Segundo os especialistas, o rei Ricardo 3º foi enterrado às pressas em uma igreja no centro de Leicester, sem sinal de que um caixão foi usado.

A igreja foi demolida no século 16, e a localização da cova acabou sendo esquecida nos séculos seguintes.

No entanto, um grupo de entusiastas e historiadores conseguiu rastrear a área provável da sepultura. Eles também conseguiram, após uma análise genealógica minuciosa, encontrar um descendente do rei para comparar o DNA.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130204_galeria_richard3.shtml