sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luaty Beirão Centro de Estudos Africanos USP

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Ontem dia 3/8 no auditório da Centro de Estudos Africanos (CEA) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo – FFLCH/USP, tivemos uma grande alegria, encontrar Luaty Beirão, rapper e escritor angolano. Um dos jovens ativistas presos em 2015 os chamados 15+2, por estarem lendo um livro foram acusados de estarem promovendo um golpe de estado contra o governo do presidente angolano José Eduardo do MPLA, eleito interruptamente há quase quarenta anos.


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Luaty tornou-se o símbolo da campanha internacional #LiberdadeJá, por sua exposição como rapper e dupla cidadania, filho de um dos principais quadros do MPLA. E principalmente por seu extremo amor por Angola e fortes convicções. Entrou em greve de fome, o regime ditatorial de Angola transformou-o em um mártir. Ele cobrava simplesmente seus direitos de cidadão.

Luaty na cama

Sua imagem deitado na cama, aparência de moribundo, correu o mundo misto de cristo e che. Manifestações ocorreram, na Inglaterra, Alemanha, França, Portugal, pedindo a liberdade dos presos políticos angolanos.

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Tantas que, até no Brasil... Da Bahia veio o grito do professor Ney D´Dan, em Brasilia a professoras Neide Samico foi organizado um movimento de indignação nacional Estimulado pela ação de um grupo angolano de São Paulo Muximas na Diápora, os movimentos negros e da sociedade civil se manifestaram: #LiberdadeJá.

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Muito nos guiou o poema de Solano Trindade, e um artigo da professora Susan de Oliveira sobre os Revús. Logo um documentário das cineastas Eliza Capai e Natália Viana nos reafirmava nossos rumos.Luaty Cel (64) (1024x576)

Muito se falou de Luaty, gostaria de falar o isolamento do Brasil perante o mundo, sendo mais específico dos movimentos negros no Brasil. Nós que fundamos o Movimento Negro Unificado (inicialmente Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial) em 1978, na época tínhamos contatos com os movimentos de libertação que ocorriam na África, e com os movimentos negros da Diáspora. Tínhamos, mas no dia sete de julho comemoramos nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo 39 anos de MNU. Surgido em 1978 quando ocorreria as festividades dos 90 anos da Abolição da Escravatura, nós então jovens protestávamos pela morte de um jovem dentro de uma delegacia, e prela proibição de atletas negros frequentarem as áreas sociais de um clube.

Quinzena do Negro

Plena Ditadura, saímos as ruas para protestar, marco simbólico da retomada de protestos populares, e dos movimentos negros unidos em uma Frente, que se espalhou Brasil afora. Tenho orgulho de ter participado, mas não estou feliz. Em 1978 apontávamos uma morte do Robson, logo depois seguida do Nilton por policiais militares. No primeiro número do Cadernos Negros, havia uma poesia profética: “mataram um negro depois outro...” Os jornais mostram as estatísticas do primeiro semestre de 2017, a Polícia Militar em São Paulo matou 459 pessoas. Vivemos numa guerra, do Estado contra a população pobre, preta e periférica.


Edaurado 1Parece que não temos memória, cada negro inicia uma nova luta por sua sobrevivência. Ontem foi uma celebração, o coletivo angolano Muximas na Diáspora, e os movimentos negros, e defensores dos direitos civis, tivemos oportunidade de confraternizar com um dos presos políticos angolanos. Pedimos que dessem visibilidade internacional, ao pedido de Liberdade para Rafael Braga, e até hoje perguntamos: “Cadê o Amarildo? ”

Eduardo

Pensávamos que não seria possível esse encontro, Luaty Beirão veio para a FLIP ocorrida em Paraty, foi no Rio na Favela do Vidigal. São Paulo esquecida, sem contatos internacionais, isolados no mundo. Para satisfação o Centro de Estudos Africanos da USP (CEA) através dos esforços da sua Diretora professora Tania Macedo, nos deu essa alegria de celebrar.

Hamilton

Orgulhoso, mas não feliz, lembrei da pioneira Quinzena do Negro na USP, ocorrida em 22 de maio até 8 de junho de 1977. Organizador Eduardo de Oliveira e Oliveira, Socióloga Beatriz do Nascimento, professor Clóvis Moura, professora Joana Elbein dos Santos. Foi um sucesso e marcou o questionamento do sentido da abolição e as influências nos descendentes dessa integração incompleta. Tínhamos mais contatos, em 1982 ocorreu o 3º. Congresso de Cultura Negra das Américas (IPEAFRO Abdias do Nascimento).


Congresso Abdias


Esse marco histórico na USP que completou 40 anos a Quinzena do Negro na USP, alguém lembrou, comemorou? Alguma homenagem para esses ícones de nossa história, Eduardo de Oliveira Oliveira, Beatriz Nascimento e Clóvis Moura?

Esse contato com Luaty Beirão promovido pelo Centro de Estudos Africanos e sua diretora Tania Macedo, nos traga o brilho de nossa história e os laços ocorridos transformem-se em pontes.


E se perguntarem temos orgulho, o Coletivo Catorze de Maio se faz presente.


Fontes citadas:

O rap e o ativismo pelos direitos humanos em Angola, por Susan de Oliveira

http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/o-rap-e-o-ativismo-pelos-direitos-humanos-em-angola-por-susan-de-oliveira

“É Proibido falar em Angola” Agência Pública, vídeo de Eliza Capai e Natalia Viana.

https://www.voaportugues.com/a/documentario-e-proibido-falar-em-angola-bloco-1/3067095.html

Fotogramas do filme Ori no documentário Ôrí, lançado em 1989, pela cineasta e socióloga Raquel Gerbe 1989

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Pisaram nossas Bandeiras, NÃO HOUVE SILÊNCIO!

Irmã Neuza Maria Pereira Lima, deu orgulho ver esse vídeo, ver, rever e ver de novo.

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Agressão física era os provocadores esperavam, uma mulher branca idosa agredida por negros! Ela não estava sozinha, na frente ela e um senhor também idoso. Ela arrogante pisa as bandeiras, ele destemido passa atrás do orador Wilson entre
Adriana e José Adão, atrás vem mulheres jovens, e por último um homem maduro, bem forte que ao passar atrás do professor Wilson tem na cara de “alamão” (sou filho de migrantes) sorriso escancarado de escárnio, antes de entrarem na “casa grande” do Teatro Municipal.Pisoteamento Bandeira


Pisaram nossas bandeiras, destemidos senhores aristocratas como devem ter sido seus ancestrais, passaram no meio das nossas lideranças no Ato. Procuravam uma reação física, uma mera agressão, um tapa, um encostar de mão, ou uma jogada e rolada de escada.
Assim haveria justificativas para chamarem a polícia militar, para encerrarem, prenderem os manifestantes.

Pisoteamento Bandeira 3

Nada disso ocorreu. E como me orgulho! E já canta Gil “a felicidade do negro, é uma felicidade guerreira, Zumbi, comandante guerreiro, Ogunhê, ferreiro-mor capitão, Da capitania da minha cabeça”.


Na avenida Paulista ocorreu há pouco o mesmo, numa marcha fascista contra imigrantes, os jovens palestinos do Al Jahiah, foram provocados, depois espancados, e PRESOS pela Polícia Militar.
Pisaram nas bandeiras dos coletivos negros presentes no Ato de Celebração em luta dos 39 anos do MNU. Passaram no meio de nossas lideranças, no alto das escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, não houve um gesto de agressão física. Eu me orgulho, NÃO HOUVE SILÊNCIO!

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Pisaram em nossas bandeiras, em frente ao símbolo da aristocracia burguesa paulistana, a “casa grande do Teatro Municipal de São Paulo”. Pisaram nossas bandeiras, os descendentes dos escravocratas barões do café, descendentes dos bandeirantes, que exterminavam e índios e os escravizavam, dos bandeirantes que arrasaram com a Livre República de Palmares. Descendentes dos “paulistas” que invadiram Angola e retomaram para Portugal da mão dos holandeses, para garantir o porto escravista português.


Pisaram, mas não foi na senzala. Em frente à casa grande do Teatro Municipal de São Paulo, estavam guerreiras, guerreiros e crianças seu filhos de orgulho quilombola. Oposto de casa grande é quilombo, não senzala.
Vendo o vídeo, reações de gritos desde o início, pouco à pouco gritos fortes, a reação do orador professor Wilson, usa uma arma: sua voz como fio de navalha, cortando a mente. Protestando, cobrando, comparando o Teatro Municipal ao símbolo da Casa Grande.
Rápidos vários guerreiros correm, sobem e protestam, usando a arma de nossas inteligências e força, nossa voz. Quando os provocadores entram no Teatro Municipal de São Paulo, buscando proteção e apoio, nós seguimos confiantes continuando a cobrança secular. Na frente
Durval Arantes, e outros companheiros: Dá para ouvir claramente: “Cala a boca”; “Racistas”! Os senhores donos dos nossos destinos como nação calam-se.
Subimos e protestamos, liderados pela voz forte do professor Wilson, os guerreiros a frente, professores, escritores usaram a arma da razão: a palavra! Eu com meus 70 anos, na retaguarda, trôpego filmando (péssimas imagens). Velho juruna digital, ficará o registro.
Discordei de irmos conversar com o secretário da cultura, apoiei a invasão para cobrar dos racistas, sem um ato de agressão física. Palavras fortes e determinadas, cobrando nosso espaço na sociedade brasileira.
Como ocorreu há pouco num ato no Al Janiah promovida pelo imigrante congolês
Christo Kamanda, uma mulher provocava, impedindo os africanos na mesa de falarem, e num ato como esse dizia: “No Brasil não existe discriminação e racismo”! Os coletivos negros garantiram a palavra e a continuidade do ato dos africanos. O “Coletivo Catorze de Maio” também presente, protestou e gravou.
Não agredimos racistas, usamos a voz forte da cobrança, mas não abraçamos nossos agressores.
Por menos o catador Ricardo Teixeira Santos, em Pinheiros recebeu um tiro no peito desferido pela Polícia Militar. Como em 1978 na morte de Nilton num ponto de ônibus na Lapa, “um tiro acidental, liquidou a questão”...

Wilson


Fernando Samuel Souza Maria sentindo-se com raiva com Gilda Vendramin Além Paraíba Minas Gerais. Disse há dias sobre essa agressão racista:
“Hoje estão pisando nossas bandeiras, nossa história. Se não reagirmos, amanhã vão pisar os nossos corpos inertes. Está na hora de unificação de nossos coletivos. ”

O vídeo do dia 7 de julho de 2017.

https://www.youtube.com/watch?v=-lw1hPnVcog


Orgulho e honra aos que se foram, resistentes, e jovens dessa luta secular. Hugo Ferreira Zambukaki

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Post Origem do MNU depoimento de militantes

A ORIGEM DO MNU - MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO

Quando os comentários são mais esclarecedores que o post:

“Éramos eu, ..., ..., os .... e muito mais gente”

Reunião no Cecan

Uma postagem no Facebook  baseado no Acervo Agência Globo, provocou a resposta de dois militantes fundadores do Movimento Negro Unificado, por sua importância publicamos as respostas ao post.

Por várias razões e respeito à opinião alheia, omitimos, o autor do depoimento e a autoria do artigo.

Masp Cotas (57)

Milton Barbosa: Em 18 de junho de 1978 representantes de vários grupos se reuniram, em resposta a discriminação racial sofrida por quatro garotos do time infantil de voleibol do Clube de Regatas Tietê e a prisão, tortura e morte de Robson Silveira da Luz, trabalhador, pai de família, acusado de roubar frutas numa feira, sendo torturado no 44 Distrito Policial de Guaianases, vindo a falecer em consequência às torturas.

Representantes de atletas e artistas negros, entidades do movimento negro: Centro de Cultura e Arte Negra – CECAN, Grupo Afro-Latino América, Associação Cultural Brasil Jovem, Instituto Brasileiro de Estudos Africanistas – IBEA e Câmara de Comércio Afro-Brasileiro, representada pelo filho do Deputado Adalberto Camargo, decidiram pela criação de um Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial.

O lançamento público aconteceu numa manifestação no dia 7 de julho, do mesmo ano, nas escadarias do Teatro Municipal da Cidade de São Paulo, reunindo duas mil pessoas, segundo o jornal "Folha de São Paulo", em plena na Ditadura Militar.

Com a criação do Movimento e seu lançamento público, mudamos a forma de enfrentar o racismo e a discriminação racial no país.

Já no dia 7 de julho, participaram entidades do estado do Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa das Culturas Negras – IPCN, Centro de Estudos Brasil África – CEBA, Escola de Samba Quilombos, Renascença Clube, Núcleo Negro Socialista, Olorum Baba Min, Sociedade de Intercâmbio Brasil África – SINBA.

Cinco entidades da Bahia nos enviaram moções de apoio à manifestação.

Prisioneiros da Casa de Detenção do Carandiru, enviaram um documento se integrando ao movimento, denunciando as condições desumanas em que viviam os presos e o racismo do sistema judiciário e do sistema prisional – Centro de Luta Netos de Zumbi.

Participaram do Ato, também, Lélia Gonzales e o professor Abdias do Nascimento.

Masp Cotas (39)

Hugo Ferreira Zambukaki:  Parabéns Milton Barbosa, ótimo depoimento de quem viveu e construiu esse momento em 1978. Muito se fala sobre esse momento histórico, alguns dizendo "eu e os outros", ver uma narrativa concisa como a sua salientando o coletivo acima da individualidade, dá orgulho.

Sou testemunha de seu comportamento exemplar, em pleno "Ato Por que a USP Não Tem Cotas?", no Vão Livre do MASP, no dia 3 de julho de 2017, na hora dos coletivos falarem chamaram o Movimento Negro Unificado Brasil- MNU, presentes o José Adão Oliveira e você. Os dois querendo que o outro tomasse a palavra, o indicado por vocês foi o Adão, exemplos como esses de humildade e reconhecimento dos companheiros, é raro. Logo depois do Adão falar, exigiram sua presença por esse seu comportamento de décadas. O coletivo antes do indivíduo.

Masp Cotas (50)

No seu depoimento você não narra, por essa ideia da coletividade antes dos indivíduos. O MNUCDR (MNU) foi uma frente de várias entidades e coletivos, mas nasceu de intensas, imensas discussões numa entidade o CECAN no Bixiga. Falo e sei que terei depoimentos de inúmeras companheiras e companheiros, que lá estiveram e viveram essas reuniões.

Mesmo antes do CECAN, eu ouvia essa proposta de dois companheiros, o que seria esse movimento. Ontem conversando com o Adão, ele definia todo esse processo como um enorme elefante apalpado por cegos, cada um vê e relata como segura a orelha, a perna...

Milton Barbosa, e Rafael Pinto na minha visão de cego segurando elefante, foram os iniciadores desse processo. Na época discutia-se cultura, atos políticos não. Ouvi dos dois companheiros, essas ideias muito antes inclusive da segunda fase CECAN, tenho na memória, com carinho as reuniões na casa da sua mãe (creio que em 1975), onde eu ouvia de vocês, e sonhávamos na construção de uma ação política.

Masp Cotas (45)

Falo isso como mero coadjuvante, junto de inúmeros companheiros companheiras que se juntaram aos esforços de vocês. Meus respeitos pelo pioneirismo, trabalho e construção.

Outros tantos nomes se uniram, somando experiências, significativa e fundamental importância. Mas honra e orgulho, ao Milton e Rafael, iniciadores intelectuais, estimuladores e construtores do processo de reorganização do movimento negro em plena Ditadura.

sábado, 12 de novembro de 2016

Expo Missa Afro da Igreja do Largo do Rosário (Penha)

Abertura Expo Missa Afro da Igreja do Largo do Rosário (Penha)

De 11 de novembro à 24 de novembro – Passagem Literária da Consolação

Grupo Poética em Construção

 

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Difícil mexer com lembranças, pela primeira vez fui até a Passagem Subterrânea na Consolação com Paulista a “Passagem Literária da Consolação”. Para mim idoso septuagenário, o mundo entre o Cine Bela Vista e o Bar Riviera.

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Recordações de um período de 21 anos da Ditadura e o combate para a redemocratização, perante o fantasma do atual retrocesso em São Paulo.

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Vivemos tempos difíceis, o Movimento (s) Negro (s) e até o 20 de novembro são contestados por setores reacionários usando oportunistas. Renovar e renascer é preciso, buscar soluções e ideias. Nada melhor que experiências de Comunidades, organizando-se e vencendo dificuldades. E mais significativo usando velhas formas de organização popular.

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A Comunidade do Largo do Rosário na Penha de França em São Paulo, organizou-se quando em 2012 houve a ameaça da demolição da Igreja. Construída pela Irmandade da Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Penha de França, fruto de esforços de libertos e escravizados, organizados nas Irmandades do Rosário, é a única original em São Paulo, conta a jornalista Carolina Conti do “Grupo Poética em Construção”.

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“Por oito meses, fotógrafos do grupo Poética em Construção registraram as inúmeras expressões de fé manifestadas durante o Cerimonial e essas imagens farão parte da exposição "Missa Afro - Registros de uma história de memória, resistência e devoção em Penha de França” diz o texto da exposição.

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Uma luta de devoção, na missa afro de todo primeiro domingo do mês desde 06 de outubro de 2013, resistência que necessita de apoio.

No centro da cidade, a atual Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Paissandu, é uma construção nova. A antiga (construída por volta de 1721) no Largo do Rosário foi desapropriada em 1903. “Por esses acasos do destino, os remanescentes do cemitério, que era de propriedade da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, foram parar às mãos do... irmão do prefeito, o sr. Martinico Prado. Ali se construiu o Palacete Martinico Prado, que já abrigou o Citybank e, hoje, acolhe a Bolsa Mercantil e de Futuros.” (fonte Wikipédia)

O mesmo risco de demolição corre a Igreja do Rosário da Penha, e as 120 fotos da exposição, selecionadas entre mais de 500 fotos de vários fotógrafos mostram o acompanhamento da organização, resistência da Comunidade por 8 meses na visão do Grupo Poética em Construção.

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Fui convidado por Carolina em abril para conhecer a Igreja e a Comunidade na Penha, desses convites em que os anjos sussurram, e nos fazem retomar histórias familiares mais antigas que a nossa própria vida.

Tenente Ferreira Realengo

Meu pai José Ferreira da Silva, mineiro do norte de Minas, soldado no Exército participou da Revolução de 1924 e ficaram sitiados na Penha. Anos mais tarde seguindo carreira formou-se oficial na Escola Militar do Realengo no Rio por onde também se formou Luís Carlos Prestes. Meu pai Tenente Ferreira, participou do Movimento Tenentista e levantou-se contra a Ditadura Vargas em 1932, onde teve sua perna esquerda metralhada. Minha família morava na Penha, nasci em 1946 e por motivos vários minha família teve de mudar-se.

Voltar à Penha de França, e juntar-se à uma luta de resistência, é manter uma tradição de luta e devoção.

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Uma exposição de peso e vitalidade para se conferir:

“Viva São Benedito! Viva Nossa Senhora do Rosário! Viva a Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Penha de França!
Axé!
O grupo Poética em Construção é formado por
Carolina Conti, Daniela Lucheta, Monica Borges, Marcelo Patu, Sebá Neto, Tatiana Vasconcellos, Sergio Cruz e Ricardo Biserra.
Curadoria de Pedro Clash”

Abertura Expo Missa Afro da Igreja do Largo do Rosário (Penha) De 11 de novembro à 24 de novembro – Passagem Literária da Consolação Grupo Poética em Construção

https://www.facebook.com/events/1085300798254615/

Fotos Jô Muniz & Hugo Zambukaki

Texto Hugo Ferreira Zambukaki

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O pesadelo negro nos EUA

EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

No dia histórico do discurso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, panorama social é dramático a negros nos EUA

 

Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA - Créditos: Mother Jones Twitter @bet

Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA / Mother Jones Twitter @bet

O presidente norte-americano, Barack Obama, participa nesta quarta-feira (28/08) em Washington de evento comemorativo pelo aniversário de 50 anos do emblemático discurso “Eu tenho um Sonho”, de Martin Luther King Jr. - considerado um marco da igualdade de direitos civis aos afro-americanos. Enquanto isso, entre becos e vielas dos EUA, os negros não vão ter muitos motivos para celebrar ou "sonhar com a esperança", como bradou Luther King em 1963.


Penitenciárias privadas batem recorde de lucro com política do encarceramento em massa
De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais - que incluem emprego, saúde e educação - entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.
“Negar a cidadania aos negros norte-americanos foi a marca da construção dos EUA. Centenas de anos mais tarde, ainda não temos uma democracia igualitária. Os argumentos e racionalizações que foram pregadas em apoio da exclusão racial e da discriminação em suas várias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado se manteve praticamente o mesmo da época da escravidão”, argumenta Alexander em seu livro The New Jim Crow.


Cidade dos EUA irá prender mendigos que não saírem do centro
No dia em que médicos brasileiros chamaram médicos cubanos de “escravos”, a situação real, comprovada por estudos de institutos como o centro de pesquisas sociais da Universidade de Oxford e o African American Reference Sources, mostra que os EUA têm mais características que lembram uma senzala aos afrodescendentes que qualquer outro país do mundo.



Em entrevista a Opera Mundi, a professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, Becky Pettit,argumenta que os progressos sociais alcançados pelos negros nas últimas décadas são muito pequenos quando comparados à sociedade norte-americana como um todo. É a “estagnação social” que acaba trazendo as comparações com a época da escravidão.
“Quando Obama assumiu a Presidência, alguns jornalistas falaram em “sociedade pós-racial” com a ascensão do primeiro presidente negro. Veja bem, eles falaram na ocasião do sucesso profissional do presidente como exemplo que existem hoje mais afrodescendentes nas universidades e em melhores condições sociais. No entanto, esqueceram de dizer que a maioria esmagadora da população carcerária dos EUA é negra. Quando se realizam pesquisas sobre o aumento do número de jovens negros em melhores condições de vida se esquece que mais que dobrou o número de presos e mortos diariamente. Esses não entram na conta dos centros de pesquisas governamentais, promovendo o “mito do progresso entre nos negros”, argumenta.

Segundo Becky Pettit, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.

Michelle Alexander, por sua vez, critica o sistema judiciário do país e a truculência que envia em massa às prisões os negros. “Em 2013, vimos o fechamento de centenas de escolas de ensino fundamental em bairros majoritariamente negros. Onde essas crianças vão estudar? É um círculo vicioso que promove a pobreza, distribui leis que criminalizam a pobreza e levam as comunidades de cor para prisão”, critica em entrevista ao jornal LA Progresive.

Dodô Calixto

OperaMundi, 28 de Junho de 2016

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O país do SampAdeus em números

 

Num artigo de 2010 (a ideia separatista é velha) uma avaliação do que seria esse novo país em números, com as vantagens e desvantagens. A ideia surgida em 2014 após a derrota do candidato do PSDB, ressurge  em 2016 com a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia, e o aumento do xenofobismo contra imigrantes.

Casamento

O Movimento São Paulo Livre, “No dia 2 de Outubro, o SPL vai organizar um grande Plebiscito Consultivo ('Sampadeus')”.
“CONSULTA SEM VALOR LEGAL, E NÃO OBRIGATÓRIA” que montaria barracas nas calçadas. Para confundir melhor no dia das eleições municipais, perto das votação das urnas municipais. Quando os movimentos de paneleiros que agitavam a Paulista silenciam, vendo a ameaça de prisão de seu ídolo, muito estranho o surgimento de um novo movimento para arregimentar e mobilizar. Fica a pergunta quem financia e a quem serve esses movimentos?

 

Locomotiva Fepasa

“País São Paulo” locomotiva sem vagões

“A República de São Paulo

Nasceria como um país até grandinho em termos globais, com 40 milhões de habitantes (32º do mundo) e território de 248 mil quilômetros quadrados, pouco mais que o Reino Unido. A economia também seria respeitável: a 2ª economia mais forte da América do Sul, com PIB de US$ 550 bilhões - 60% maior que o da Argentina. Por essas, aliás, alguns paulistas gostam de dizer que seu estado é "a locomotiva do Brasil". E os mais radicais batem no peito dizendo que sustentam o resto do país. Mas não. Vamos por partes: São Paulo é, de fato, o estado que mais contribui em impostos para a União. Em 2008, por exemplo, pagou R$ 207 bilhões e recebeu só R$ 9 bilhões do governo federal para gastar. Uma diferença de R$ 197 bilhões. Mas isso não significa sustentar o país. Estados com PIBs bem mais magros também arcaram com déficits gordos: o Rio pagou R$ 104 bilhões a mais do que ganhou da União. O Distrito Federal, R$ 37 bilhões. Amazonas e Bahia, cerca de R$ 5 bilhões cada um. Na real, só 11 dos 26 estados ficaram no lucro, e quem ganhou mais foi o Tocantins, que pagou R$ 0,4 bilhão de imposto e ficou com R$ 2,3 bilhões. Ou seja: o país tem mais locomotivas do que vagões. E São Paulo é só uma delas. Para ter uma ideia mais clara de como seria esse novo país, temos que pesar dois pontos. Primeiro: um estado paulista independente teria quase R$ 200 bilhões a mais por ano para gastar consigo mesmo. É dinheiro suficiente para elevar os padrões de educação, saneamento e saúde a um grau de primeiro mundo, se bem aplicado. Um belo ganho. Mas a perda pode ser maior. Fazer parte de um país significa ter acesso a todo o mercado da nação sem pagar impostos. Se você planta cana em São Paulo pode vender seu etanol para os postos de gasolina do Mato Grosso, mas não para os dos EUA, que cobram taxas pesadas sobre o álcool. Se o resto do Brasil levantar barreiras assim, São Paulo teria pouco acesso ao mercado de um país que, mesmo sem seu estado mais rico, seria a 14ª maior economia do mundo. Um péssimo negócio. Para os dois lados

Dois em um
Brasil e São Paulo formariam países respeitáveis mesmo separados. Mas as perdas para os dois iriam da economia ao futebol.


POLÔNIA TROPICAL
São Paulo representa quase 1/3 do PIB brasileiro, que é o 8º do mundo, com US$ 1,6 bilhão, entre a Itália e a Rússia. Sem SP, o Brasil cairia para o 14º lugar, entre México e Austrália. A república paulista, com seu PIB atual de US$ 550 bilhões, ficaria em 18º, logo abaixo da Turquia. No quesito renda per capita, ela ficaria em 50º. Seriam US$ 13 mil anuais por habitante (como na Polônia).

PRÉ-SALINHO
As jazidas mais promissoras do pré-sal estão no litoral fluminense. Mas 1/4 dele fica em águas paulistas. Não se sabe a quantidade exata de óleo nesse quinhão. Mas, com sorte, os paulistas conseguiriam tirar algo comparável à produção atual do Brasil, de 2 250 barris por dia, o que faria do país um pequeno exportador de petróleo.

CHURRASCO IMPORTADO
A capital paulista é a cidade com mais churrascarias no mundo: são 140. O apetite carnívoro da república paulista levaria para os açougues o equivalente a 3 milhões de bois por ano. Para manter os churrascos de fim de semana, São Paulo teria de importar pelo menos 1 milhão de cabeças de gado. E o Brasil, que já é o maior exportador do mundo, ganharia um novo cliente.

PAÍS DA VITAMINA C
São Paulo é responsável por metade dos produtos industrializados do país. O novo país exportaria para o Brasil derivados de cana e frutas. A república paulista, por sinal, seria o maior produtor mundial de laranja, uma espécie de reserva global de vitamina C, que hoje exporta US$ 60 bilhões anuais de suco para o resto do mundo.

MAIS DO MESMO
O IDH, índice que avalia educação, expectativa de vida e bem-estar social dos países, varia sempre entre zero (um lixo) e 1 (perfeito). O Brasil, 75º colocado no mundo, tem 0,81 (nível Colômbia). Sem São Paulo, cairia para 0,80 (nível Colômbia). E SP ficaria com a 65ª posição (nível Colômbia). Quer dizer: não nasceria como um país de primeiro mundo.”

Alexandre Versignassi e José Francisco Botelho

Fonte: Superinteressante

São Paulo separada do Brasil, quem financia?

 

Um movimento separatista nascido em 2014 depois das eleições, onde o deputado Coronel Telhada reclamava da eleição: ¨Deputado estadual eleito em São Paulo, Coronel Telhada (PSDB) usou as redes sociais para manifestar sua indignação com a reeleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, que venceu o tucano Aécio Neves no segundo turno da eleição.”

Sampa Adeus

De início as considerações do deputado logo após as eleições (27-10- 2014) eram:

“Coronel Telhada fala em separar Sul e Sudeste do resto do país”

O coronel Telhada (PSDB), deputado estadual eleito em São Paulo, culpou nas redes sociais os eleitores que votaram branco, nulo ou que não votaram neste domingo (26) pela vitória de Dilma Rousseff.

A declaração foi mais amena que a publicada na noite de domingo, também em sua página no Facebook, quando Telhada disse que o Sul e o Sudeste deveriam iniciar "o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade". Folha de São Paulo

Para o portal do site “Terra” era mais radical em seu pensamento separatista São Paulo deveria se separar de todo Brasil nem o sul e sudeste escapava: “O deputado estadual eleito disse estar “triste, estou muito triste” e que acha “que chegou a hora de São Paulo se separar do resto desse país”. “Que o Brasil engula esse sapo atravessado”, afirmou.

Tirando indignações do calor de quem perde eleições (2014), vemos surgir agora em 2016 um movimento chamado São Paulo Livre org., que aproveitando a saída da Inglaterra da Comunidade Europeia com o “Brexit” lançam o “SampAdeus”.

Casamento

Material do SPL com acabamento profissional

"A ação é encampada por uma organização não-governamental do Estado chamada São Paulo Livre surgido em 2014, que batizou o movimento de "SampAdeus", algo como São Paulo dizer adeus ao Brasil." Site bem organização na sua estruturação, e surge a pergunta quem paga os profissionais?

Muita gente séria, encara como brincadeira e acrescenta: “Apoio com entusiasmo e já vou fazer campanha pela Internet desde de que garantam que levam mesmo Temer, FHC, Serra, Alckmin, Tiririca, Kassab, Jair Bolsonaro & família, Pastor Marco Feliciano, João Dória, Paulo Maluf, Janaína, Paschoal, VEJA, Paulinho da Força, Alexandre de Moraes, Aloysio Nunes, FIESP & Skaf, MBL, Vem pra Rua, ITAU, Revoltados On Line, Folha, Estadão, Celso Russomano, Martha Suplicy, William Waack, William Bonner, Ratinho, família Setubal, Guilherme Leal, Guilherme Afif Domingos, Abilio Diniz, Eliana, Danilo Gentilli, Lobão, Adriane Galisteu, Silvio Santos &SBT, TV e rádio Band, deputado Fernando Máfia da Merenda Capez que levaria junto todo o PSDB paulista junto com o PP, PSD e Solidariedade. Se confirmarem, estamos juntos. ”

Realmente concordo com a brincadeira do texto, mas o que está atrás de tudo isso?

Quem financia esse movimento São Paulo Livre, que irá fazer “No dia 2 de Outubro, o SPL vai organizar um grande Plebiscito Consultivo ('Sampadeus')”.

Entendendo melhor é uma: “CONSULTA SEM VALOR LEGAL, E NÃO OBRIGATÓRIA” (Flávio Rebello – Presidente Nacional do São Paulo Livre) que montaria barracas nas calçadas. Claro que para confundir melhor no dia das eleições municipais, perto das votação das urnas municipais, e duas perguntas com resposta Sim ou Não:

1- “Você está insatisfeito com a atual representação política São Paulo na Federação?”

2- “Você gostaria que São Paulo se tornasse um país independente? “

(Informações dadas em entrevista pelo presidente nacional do SPL)

Beijo Reino Unido

Muita gente na Inglaterra votou a favor da saída do Reino Unido da União Europeia por “brincadeira para mostrar a insatisfação” e já se arrependeram com o resultado, existem mais de um milhão e setecentas assinaturas pedindo novo referendo, informa a Veja. O Reino Unido que é também formado pela Escócia (onde a permanência ganhou com 62%) está pedindo novo referendo pedindo a independência do Reino Unido.

Cunha tá

Quando os movimentos de paneleiros que agitavam a Paulista silenciam, vendo a ameaça de prisão de seu ídolo, muito estranho o surgimento de um novo movimento para arregimentar e mobilizar. Fica a pergunta quem financia e a quem serve esses movimentos?

E se São Paulo elegesse uma prefeita nordestina?  Usando a ironia: O tal país independente excluiria a cidade São Paulo?

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1539043-coronel-telhada-critica-votos-nulos-e-defende-autonomia-dos-estados.shtml

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/indignado-coronel-telhada-fala-em-separar-sp-do-pais,5a94b9f2ffe49410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/pedido-de-novo-referendo-sobre-saida-do-reino-unido-da-ue-supera-17-milhao-de-assinaturas

http://economico.sapo.pt/noticias/brexit-pode-levar-a-novo-referendo-pela-independencia-na-escocia-e-a-crise-na-europa_252392.html