segunda-feira, 27 de junho de 2016

São Paulo separada do Brasil, quem financia?

 

Um movimento separatista nascido em 2014 depois das eleições, onde o deputado Coronel Telhada reclamava da eleição: ¨Deputado estadual eleito em São Paulo, Coronel Telhada (PSDB) usou as redes sociais para manifestar sua indignação com a reeleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, que venceu o tucano Aécio Neves no segundo turno da eleição.”

Sampa Adeus

De início as considerações do deputado logo após as eleições (27-10- 2014) eram:

“Coronel Telhada fala em separar Sul e Sudeste do resto do país”

O coronel Telhada (PSDB), deputado estadual eleito em São Paulo, culpou nas redes sociais os eleitores que votaram branco, nulo ou que não votaram neste domingo (26) pela vitória de Dilma Rousseff.

A declaração foi mais amena que a publicada na noite de domingo, também em sua página no Facebook, quando Telhada disse que o Sul e o Sudeste deveriam iniciar "o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade". Folha de São Paulo

Para o portal do site “Terra” era mais radical em seu pensamento separatista São Paulo deveria se separar de todo Brasil nem o sul e sudeste escapava: “O deputado estadual eleito disse estar “triste, estou muito triste” e que acha “que chegou a hora de São Paulo se separar do resto desse país”. “Que o Brasil engula esse sapo atravessado”, afirmou.

Tirando indignações do calor de quem perde eleições (2014), vemos surgir agora em 2016 um movimento chamado São Paulo Livre org., que aproveitando a saída da Inglaterra da Comunidade Europeia com o “Brexit” lançam o “SampAdeus”.

Casamento

Material do SPL com acabamento profissional

"A ação é encampada por uma organização não-governamental do Estado chamada São Paulo Livre surgido em 2014, que batizou o movimento de "SampAdeus", algo como São Paulo dizer adeus ao Brasil." Site bem organização na sua estruturação, e surge a pergunta quem paga os profissionais?

Muita gente séria, encara como brincadeira e acrescenta: “Apoio com entusiasmo e já vou fazer campanha pela Internet desde de que garantam que levam mesmo Temer, FHC, Serra, Alckmin, Tiririca, Kassab, Jair Bolsonaro & família, Pastor Marco Feliciano, João Dória, Paulo Maluf, Janaína, Paschoal, VEJA, Paulinho da Força, Alexandre de Moraes, Aloysio Nunes, FIESP & Skaf, MBL, Vem pra Rua, ITAU, Revoltados On Line, Folha, Estadão, Celso Russomano, Martha Suplicy, William Waack, William Bonner, Ratinho, família Setubal, Guilherme Leal, Guilherme Afif Domingos, Abilio Diniz, Eliana, Danilo Gentilli, Lobão, Adriane Galisteu, Silvio Santos &SBT, TV e rádio Band, deputado Fernando Máfia da Merenda Capez que levaria junto todo o PSDB paulista junto com o PP, PSD e Solidariedade. Se confirmarem, estamos juntos. ”

Realmente concordo com a brincadeira do texto, mas o que está atrás de tudo isso?

Quem financia esse movimento São Paulo Livre, que irá fazer “No dia 2 de Outubro, o SPL vai organizar um grande Plebiscito Consultivo ('Sampadeus')”.

Entendendo melhor é uma: “CONSULTA SEM VALOR LEGAL, E NÃO OBRIGATÓRIA” (Flávio Rebello – Presidente Nacional do São Paulo Livre) que montaria barracas nas calçadas. Claro que para confundir melhor no dia das eleições municipais, perto das votação das urnas municipais, e duas perguntas com resposta Sim ou Não:

1- “Você está insatisfeito com a atual representação política São Paulo na Federação?”

2- “Você gostaria que São Paulo se tornasse um país independente? “

(Informações dadas em entrevista pelo presidente nacional do SPL)

Beijo Reino Unido

Muita gente na Inglaterra votou a favor da saída do Reino Unido da União Europeia por “brincadeira para mostrar a insatisfação” e já se arrependeram com o resultado, existem mais de um milhão e setecentas assinaturas pedindo novo referendo, informa a Veja. O Reino Unido que é também formado pela Escócia (onde a permanência ganhou com 62%) está pedindo novo referendo pedindo a independência do Reino Unido.

Cunha tá

Quando os movimentos de paneleiros que agitavam a Paulista silenciam, vendo a ameaça de prisão de seu ídolo, muito estranho o surgimento de um novo movimento para arregimentar e mobilizar. Fica a pergunta quem financia e a quem serve esses movimentos?

E se São Paulo elegesse uma prefeita nordestina?  Usando a ironia: O tal país independente excluiria a cidade São Paulo?

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1539043-coronel-telhada-critica-votos-nulos-e-defende-autonomia-dos-estados.shtml

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/indignado-coronel-telhada-fala-em-separar-sp-do-pais,5a94b9f2ffe49410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/pedido-de-novo-referendo-sobre-saida-do-reino-unido-da-ue-supera-17-milhao-de-assinaturas

http://economico.sapo.pt/noticias/brexit-pode-levar-a-novo-referendo-pela-independencia-na-escocia-e-a-crise-na-europa_252392.html

domingo, 26 de junho de 2016

Pré-historia ligação continental América do Norte e a Central.

Dono do portão transoceânico: um operário olha, no dia 10 de junho de 2016, a porta flutuante nas esclusas de Água Clara do Canal de Panamá ampliado

Ampliação do Canal do Panamá revela 'afinidade norte-americana'

A revista Nature está se preparando para divulgar dados detalhados sobre o significado arqueológico do Canal do Panamá.

Segundo a Autoridade do Canal do Panamá, já foram achadas pelo menos 8.862 amostras paleontológicas durante as escavações, que duraram entre 2008 e 2012. A ACP, entidade autônoma panamenha, realizou o projeto junto com o estadunidense Instituto Smithsonian de Investigações Tropicais (STRI). A equipe íntegra 30 paleontólogos.

Os dados detalhados serão publicados pela revista Nature na sua próxima edição, informa a mídia internacional. No entanto, sublinha-se que "o tesouro é enorme". Estas palavras de Oris Rodríguez, investigador do STRI, repercutem no mundo hispano-americano:

"Imagine ter tido todos esses fósseis de animais e plantas escondidos lá, até que se abrisse uma janela de valor incalculável ao passado através do acesso às rochas do canal".

Entre as amostras, 5.377 são rochas e sedimentos e 3.485, fósseis; estes últimos se dividem em 359 de plantas, 1.511 de moluscos, 6 de equinodermos, 149 de artrópodos, 317 de tubarões, 704 de répteis e 439 de mamíferos.

Em 1 de junho de 2016 este pequeno navio estava treinando, perto da Cidade de Panamá, a navegação de navios de carga no futuro Canal de Panamá ampliado. Quase três semanas depois, houve teste no próprio canal

© REUTERS/ CARLOS JASSO

Em 1 de junho de 2016 este pequeno navio estava treinando, perto da Cidade de Panamá, a navegação de navios de carga no futuro Canal de Panamá ampliado. Quase três semanas depois, houve teste no próprio canal

Para Zuleika Mojica, membro da equipe de Proteção Ambiental da ACP, se trata de "um antes e um depois na história da paleontologia a nível mundial": os objetos achados já permitiram revisar algumas teorias científicas, insiste Mojica.

Citada pelo site Panamá América, ela afirma que a principal consequência do descobrimento é o estabelecimento de uma "afinidade norte-americana", que é um argumento que confirmaria a existência, em um passado bem remoto (22 milhões de anos há), de um ligação continental entre a América do Norte e a Central. Os períodos envolvidos se chamam Oligoceno e Mioceno: neles, houve importantes movimentos tectônicos que formaram várias paisagens contemporâneas da Terra.

Além do movimento tectônico, houve um movimento de seres vivos, um pouco mais tarde — 10 milhões de anos atrás. Cobras, tartarugas, abelhas, rãs, salamandras, peixes e outros animais migraram para o sul.

Estado atual

A ampliação do Canal do Panamá é um projeto ambicioso bastante discutido na região. Ele visa aumentar o comércio, possibilitando uma passagem mais cômoda entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Mais cedo na semana em curso, em 20 de junho, o navio grua Oceanus realizou um teste passando pelas exclusas de Cocolí. O teste foi bem sucedido, o que aumentou o orgulho e as esperanças da ACN.

Esta foto de 20 de junho de 2016 mostra a abertura de uma porta no canal do Panamá, deixando passar o navio Oceanus para fazer teste

© REUTERS/ CARLOS JASSO

Esta foto de 20 de junho de 2016 mostra a abertura de uma porta no canal do Panamá, deixando passar o navio Oceanus para fazer teste

Fonte: http://br.sputniknews.com/

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Um filme escondido da Ditadura por 25 anos

Durante a Ditadura Militar (1964 à 1985) houve sérias restrições onde tudo era proibido e censurado. A violência e agressão eram destinada aos que discordavam do regime totalitário, era a ideologia do inimigo interno, baseada na “Guerra Fria” onde o Estados Unidos em sua disputa com a União Soviética combatia e exportava sua ideologia aos países da América Latina.

Desde estimular, financiar políticos e militares para a derrubada do governo de João Goulart, até o envio de uma frota (Operação Brother Sam) com marines norte-americanos para apoio do golpe contra o governo constituído. Como não houve reação contra o golpe a frota norte-americana voltou ao Caribe.

Operação-Brother-Sam-Destroyers-Porta-Avioes

A operação consistiu no deslocamento da frota da Marinha norte-americana estacionada na região do Caribe para o litoral brasileiro. O apoio logístico em favor dos golpistas fora solicitado pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, com quem as forças insurgentes já mantinham contatos visando o suporte norte-americano à derrubada do governo Jango.

Surgiram das manifestações populares nos finais dos anos 60 grupos de resistência, alguns através da cultura para “conscientização das massas”, outros armados tentando com ações de guerrilha diminuir o poder dos militares golpistas. Líderes estudantes, sindicais, e políticos de esquerda foram torturados, mortos, tiveram que fugir do país e muitos os seus corpos estão desaparecidos até hoje.

Brasil Ame-o

Era a época das bandeiras verde-amarelas dos adesivos nos carros “Brasil ame-o, ou deixe-o”

Filmes feitos na época mostram bem como eram a forma de se opor ao regime.

Queremos citar um filme feito em 1968 e 69 "Manhã Cinzenta" por Olney Alberto São Paulo A proposta inicial de Manhã Cinzenta era que viesse a compor um projeto de um filme com três histórias. No entanto, com a apreensão de Manhã Cinzenta e a censura, o projeto foi abandonado por Olney São Paulo, ficando apenas um filme de caráter independente que, embora ficasse inédito no Brasil, ganhou muita repercussão em outros países. Exemplo desse reconhecimento e da valorização foi a premiação recebida na Alemanha, bem como as participações em festivais de Cannes, em 1970; Cracóvia, na Polônia; Viña del Mar, no Chile; Pesaro, na Itália, e em Londres.

Olney-Sao-Paulo2

Olney São Paulo

Na manhã do dia 8 de outubro de 1969, ocorre o primeiro sequestro de um avião brasileiro, por membros da organização MR-8. O avião é desviado de Cuba. Um dos sequestradores é membro da diretoria da Federação Carioca de Cineclubistas. “Manhã Cinzenta” é exibido a bordo. Olney é vinculado pelas autoridades brasileiras ao sequestro. É detido e levado para local ignorado, ficando incomunicável por doze dias. Liberado, em 5 de dezembro é internado, com suspeita de pneumonia dupla. Em 25 de dezembro, muito debilitado psíquica e fisicamente, passa alguns dias com a família e é internado novamente.

Os negativos e cópias de "Manhã Cinzenta" são confiscados. Mas uma das cópias do filme é salva por Cosme Alves Neto, então diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e ficou por vinte cinco anos escondida na Cinemateca do MAM.

Olney São Paulo morreu cedo,  com a saúde debilitada vítima de tortura em 1978, aos 41 anos.

Assista Manhã Cinzenta  Ano: 1969 - Duração: 00:22:00
Diretor: Olney Alberto São Paulo

Um golpe de estado num país imaginário da América Latina. O poder. A repressão. O filme que levou seu realizador aos porões da ditadura.

Fontes: Olney São Paulo http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/olney-sao-paulo/

Olney São Paulo https://pt.wikipedia.org/wiki/Olney_S%C3%A3o_Paulo#Pris.C3.A3o_e_censura

Olney São Paulo http://www.cinecachoeira.com.br/2011/06/olney-sao-paulo/

Operação Brother Sam http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/operacao-brother-sam-golpe-de-64-teve-apoio-dos-eua.htm

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

sábado, 5 de dezembro de 2015

Primeira vez que vi Marília Pera

Histórias do Teatro Casarão

Hoje logo dia 05 de dezembro de 2015, acordo com a televisão anunciando a morte da atriz Marilia Pera. Como uma velha escrivaninha de várias gavetas, que você encontra velhos papéis esquecidos, lembrei da primeira vez que vi Marília Pera.

Marilia Roda Viva 2

Marília Pera na peça Roda Viva de Chico Buarque, dirigida por Zé Celso, no coro fazia parte Zezé Motta – na sala Galpão do Teatro Ruth Escobar atacado pelo CCC em julho de 1968

Garoto vindo do interior, São Paulo era um mundo que enchia os olhos em 1968, para quem vinha de pequenas cidades. Cheguei em São Paulo nos fins de 1963, comecei a trabalhar no início de 1964, nas Lojas de Departamentos, logo estouraria a Revolução Militar em abril de 64.

Órfão de pais, vivia a grande luta de trabalhar e estudar à noite. Aos poucos fui me acostumando à cidade grande, tomando contato com a realidade. O que eu imaginava que seria uma abertura, viver numa cidade grande, tornava-se com a Ditadura Militar um cerco, uma corda que ia asfixiando cada vez mais, tudo e todos.

Em 1968 sofri uma crise na coluna cervical que me deu um afastamento do serviço. Foi quando conheci o Grupo Teatral Casarão misto amador com profissional, um centro cultural no Avenida Brigadeiro próximo à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Com tempo ocioso, entre as sessões de terapias. Andava e vagava pelo Centro da cidade, o Teatro Casarão foi uma abertura que mudou minha vida.

Dentre o Grupo, um amigo foi o tutor desses novos caminhos. Waldemar Sillas um dos fundadores tornou-se companheiro e mentor. Na época além de ator, já era autor e diretor. Eu tinha uns vinte e poucos, erámos quase da mesma idade. Ele morava em Santana, lá nos lados onde minha irmã morava. Trocávamos confidências, sonhos, projetos, nossas namoradas eram amigas. Domingo sempre havia uma comida da sua mãe nos esperando. Erámos quase uma família...

Um dia creio que em agosto de 1968, Waldemar falou: - “Uns amigos estão precisando de ajuda, você pode ir comigo? ”. Minha resposta foi de imediato: - “Vamos! ”. Os atores da peça “Roda Viva”, de Chico Buarque, com direção de Zé Celso Martinez Corrêa, no teatro Ruth Escobar, em São Paulo, haviam sido agredidos durante a peça.

Sala Galpão

Mais ou menos vinte homens encapuçados do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) haviam invadido e destruído a Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar no final da peça.

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Camarim da Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar (foto publicada na Folha de S.Paulo no dia 19 de julho de 1968)

Em 18 de julho de 1968, após mais uma noite de apresentação em São Paulo na sala O Galpão, cerca de vinte homens encapuzados, armados de cassetetes e soco inglês sob as luvas, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), se dividiram para quebrar o cenário e partes do espaço físico, e invadir os camarins, espancando os atores e produção, rasgando roupas dos figurinos. Transformou-se numa resistência cultural contra a Ditadura.

Coro de Roda Viva Zezé 

Coro do Musical Roda Viva onde fazia parte Zezé Motta

  O musical Roda Viva causava polêmicas contava as péssimas condições sociais, políticas e financeiras da sociedade da época e do início das redes de televisão. Os personagens que representavam o povo, não possuíam quaisquer direitos de liberdade e são frágeis diante da influência da televisão.

 

Comprovada a evidente intenção de criticar a situação política, social e econômica da época, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) organizou uma agressão contra os artistas, sob alegação de que precisavam ser repreendidos pelos palavrões e por expor, ao público, os problemas do País.

A “proibição” de nos meios de comunicação vinham do “Ato Institucional número 5, que concedia poderes ao Presidente da República para intervir e cessar qualquer atividade ou liberdade democrática.

Hugo Waldemar 

Foto de fotógrafo das velhas máquinas lambe-lambe

Na época Waldemar Sillas e eu, barbudos e com cara de poucos amigos ficamos “escalados” na sala restaurada e como “seguranças” de proteção ao elenco. Uma proteção ficcional e simbólica.

Uma Marília tímida e maravilhosa e os atores vieram no final, agradecer nosso apoio e solidariedade à retomada da peça depois do ataque facista dos integrantes do CCC.

Histórias que no coração quebrado pelas partidas de amigas e amigos, ainda recordo. Épocas da Ditadura Militar, que a violência tentava calar nossos sonhos.

Hugo Ferreira Zambukaki

Fotos: Internet e arquivo pessoal

domingo, 22 de novembro de 2015

Um presente de amigo, recordações

 

Fotos eram poucas e raras, no movimento popular. Recebi há pouco do Carlos Benedito Silva, um presente, uma foto de uma audiência com a então prefeita Luiza Erundina, no seu gabinete no Parque Ibirapuera.

Prefeita Luiza Erundina

Participávamos do Grupo “Participação das Bases” e estávamos desenvolvendo o “Mutirão Saúde Qualidade de Vida através da “Experiência Comunitária – ExCo” por volta de 1989 ou 1990. Participantes do Movimento Negro, com uma visão que tínhamos de lutar por cidadania e questionar a exclusão do povo negro e periférico. Carlão (Carlos Benedito Silva) lutava por condições de moradia, e juntos participávamos do PMDB, na época uma frente AINDA com vários partidos de esquerda, tentando manter a chama do antigo MDB, dos nossos companheiros Esmeraldo Tarquínio e Oscarlino Marçal, onde o lema era a frase altiva:

“Negro, mas não somente negro. ” Mas isso já é outra história.

Participação das Bases 087

A velha camiseta de recordação

Com essa audiência o “Mutirão Saúde – Qualidade de Vida” conseguiu através da Prefeita Luiza Erundina que fosse calçada a primeira entrada para a Comunidade do Heliópolis (na época a Favela do Heliópolis). Uma entrada tão íngreme, que não resolveria só o asfalto nos dias de chuva, segundo a Comunidade.

Lembrei desse fato quando estive na COHAB 2, com os companheiros angolanos buscando apoio do Movimento das Mães de Maio, lembrava da prefeita Erundina pisando no barro, subindo rampas, entrando em barracos se emocionando. Nossa juventude de luta.

Ontem depois de tantos anos encontrei a deputada Luiza Erundina na Plenária da Raiz, agradeci a sua Moção em Prol dos manos presos políticos em Angola por liberdade de expressão, e a repercussão internacional que teve sua ação no Congresso Nacional.

Contei da foto presente que recebera, do amigo Carlão, e como foi bom lembrarmos dos movimentos agindo nas periferias com a administração envolvida e presente. Independente de partidos, apoiando os movimentos populares.

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O símbolo do megafone e a lembrança do velho MDB, tentativa de um movimento dentro de um partido.

Até hoje guardo a camiseta, fragmentos de sonhos. Sonhados juntos realidades.

Obrigado prefeita, deputada Luiza Erundina, nossos respeitos.

Hugo Ferreira Zambukaki

Fotos: Acervo Carlão (Carlos Benedito Silva)

Jô Muniz

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Parada Preta Paulista.

 

Quanto dói uma morte? E quando não são uma, duas, três, quatro...

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Semana passada foi a morte do haitiano Fetiere Sterlin, assassinado em Navegantes Santa Catarina com 10 facadas, perto de sua casa junto com sua mulher brasileira. Ontem no dia 31 de outubro foi o jovem angolano Jocéu Wando Capilo estudante intercambista de engenharia que veio realizar seu sonho de se formar e voltar à Angola. Sonhos de jovens querendo se estabelecer no país, sonhos de quem vê a educação como forma de construir um futuro melhor. Sonhos perdidos, despedaçados.

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Como não lembrar dos da jovem Zulmira Cardozo, angolana, que formada queria comemorar, sua graduação e voltar para Angola, e ao encontrar seus amigos num bar do Brás onde a comunidade angolana se estabeleceu foi morta em 2012 com um tiro na testa. Cinco estudantes alvejados uma jovem grávida, e três rapazes. Não só foi a morte de Zulmira, seu namorado veio a falecer meses depois, com o peso de carregar de não ter sido morto em lugar da namorada.

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Africanos e caribenhos não são bem-vindos no Brasil, o que os encanta do maior país negro de mundo, o Brasil com 60% da população de origem afro-brasileira (preta, negra, morena ou seja lá o termo que você prefira) tem um sério problema de desigualdade social, onde esses 60% são excluídos da sociedade e remanejados para as periferias das grandes cidades. O que os atrai como a luz, os prejudica, excluí e os mata...

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O Brasil até os anos 60 era uma grande fazenda, os imigrantes europeus vieram para ocupar os lugares dos escravizados, fugidos de guerras e a fome das grandes migrações que o distúrbio pós guerra causa, vieram por serem uma mão de obra mais barata no capitalismo. Onde você usa uma mão de obra assalariada, e a descarta quando não necessita ou não é mais útil. Sem necessidade de comprar o escravizado, e cuidar dele quando fosse necessário, mais fácil usar a mão de obra excedente e farta na Europa e Ásia. E o que fazer com os descendentes de escravizados?

Uma política de contenção e marginalização nas periferias. Onde as prisões são mais importantes que as escolas. Onde os bandos de capitães do mato, transformaram-se em milícias, e as chacinas são a forma de conter pelo medo a população pobre, negra e periférica.

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Hoje domingo 1º. de novembro, os descendentes de Dandara, Zumbi, Nzinga e Toussaint Louverture uniram-se para protestar pelas mortes e violências contra imigrantes africanos e caribenhos, filhos da Diáspora Africana, brasileiros, haitianos, congolenses, angolanos numa manifestação no Vão Livre do Masp, mesmo lugar onde uma manifestação cobrava quem matou os jovens da Chacina dos 19 na Grande São Paulo. Organizado pelo VOHA Voluntários Amigos dos Haitianos, presentes diversas entidades e movimentos sociais.

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Som de um coração enlutado, batia o tambor de Claudete

Um tambor monocórdico, som de um coração enlutado cobrava o descaso no recebimento e acolhimento desses imigrantes. Uma militante Claudete Alves lembrava que somos um país de imigrantes, onde os donos da terra indígenas e africanos escravizados vivem marginalizados.

Paulista Manifestação 197 (1024x576)

Um usuário das barracas de antiguidades, de dedo em riste e atitude ameaçadora tentou calar o som do tambor e a voz dolorosa de quem lamenta os seus mortos. Mulatas tipo exportação de biquínis, e negros sorridentes fazendo música para ioiô dançar são bem-vindos, cidadãos cobrando seus direitos, são negros não são cidadãos.

Arquétipo guerreiro, em defesa da imagem da mãe, mulher, filha, companheiras cobrou rijo o direito:

“ – Quem é você para silenciar a voz dessa mulher que nos representa?

- Cala a boca racista. ”

Tranquila manifestação, presença constante a presença negra se fará na Paulista nos domingos. Ocupando espaços, onde a visibilidade negra, unida com seus parceiros grita pela inclusão e liberdade. Brasil onde todos têm sangue negro, uns no corpo e mente, outros nas mãos.

 

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Paulista com Itapeva – Parada Preta na Paulista

Unidos num espaço de liberdade no novo espaço dos paulistanos aos domingos, Avenida Paulista com rua Itapeva, uma ocupação como nos tempos da 24 de Maio, ou frente o Mappin um ponto de encontro de arte, cultura e alegria negra da Diáspora Africana em São Paulo: “Parada Preta na Paulista” #paradapretanapaulista

Hugo Ferreira Zambukaki