domingo, 21 de junho de 2015

Procedimento Padrão

 

Estava com pressa

Só tenho uma hora de almoço

Esquentei a marmita

Fui até carregar o bilhete único na lotérica

E entrei no supermercado

estava vazio

Fui até a seção de hortifrúti

Um homem atrás de mim

Escolhi as bananas, peguei as batatas

E podia sentir que ele me olhava

Fui para o outro corredor

Pegar açúcar

ouvi passos

Caminhei mais depressa

os passos apertaram

Fui pegar o pão

Sentia os olhos do mal

Fiquei de saco cheio

Virei e soltei:

“Qual é o problema?

Vai ficar me perseguindo?

Por todo o lugar?”

O segurança com cara de tacho:

“-Desculpas, senhora.

Procedimento padrão.

Fazendo a ronda. ”

Eu já muito irritada soltei:

“Contra preta?

Só tem eu os funcionários

que somos pretos.

Os brancos fazendo compras

não são importunados.

Mais respeito! ”

E mais uma

fui reclamar com o gerente...

 

Jô Muniz

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O dia em que me vi

 

Nunca disse uma palavra de amor

enquanto odiei o meu corpo

como dar graças ao Criador

odiando sua imagem e semelhança

dia queme vi

Como buscar a mão de um irmão

se o negro de minha alma e cor

brilhavam luzidio na sua pele

como espelho de minha negra imagem

 

Anjos e deuses eram brancos

belos, lindos e cultos

eu ser descaído mendigava

um olhar, um afago, um abraço

 

A mão que me tocasse

por mais branca que fosse

suja , imunda, desprezível se tornava

pois eu mesmo me odiava

 

Um dia rasgando meu corpo e alma

de tudo que eu sempre ouvira

surgiu o homem negro livre

da prisão onde existira

O reflexo, criado por vozes opressoras

em mil partes se quebrou

negro, burro, imundo, sem valor

ficaram cacos quebrados

 

O homem negro de punho levantado

olhou demoradamente seu irmão

não de pele mas de fé

e pela primeira vez, amou

 

Livro “ Luta pela Igualdade”

Hugo Ferreira Zambukaki

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Durante a Ditadura Militar quando éramos oposição

 

“- Sim, estive lá eu lutei!”
(Convocatória para o lançamento de fundação da FRENAPO 16/6/1980)
Hoje 9 de janeiro de 2015 completa 62 anos o irmão e camarada Benedito Cintra, vindo de movimentos de base da periferia nos anos de 1973 e 74 no Movimento Contra a Carestia. Elegeu-se vereador em 1976 com 23 anos pelo MDB partido de oposição à Ditadura. Na época o PC do B era um partido clandestino. Cintra participava do diretório do MDB, da Freguesia do Ó, eu no Diretório de Santa Efigênia, eu não participava de “partidos organizados” (como se falava na época) era da chamada esquerda independente. A eleição controlada pela Ditadura os prefeitos eram nomeados pelo Governador , dos candidatos à vereador apareciam pequenas fotos e um mínimo currículo. Votei na foto 3/4 do Cintra, sem conhecê-lo pessoalmente, mas por sua história de luta e militância.

Conselho Posse 2

Posse do Conselho de Desenvolvimento e Participação da  Comunidade Negra de São Paulo no governo Franco Montoro

Quando em 1980 Paulo Maluf era o então governador eleito indiretamente iniciou a proposta da mudança da Capital de São Paulo para o interior do estado, os representantes (deputados e vereadores de SP) da então chamada “comunidade negros” eleitos pelo MDB que fora extinto em 1979 com o fim do bipartidarismo, apoiaram Maluf e entraram para o PDS sigla que continuava a trajetória da ARENA, nós antigos militantes do MDB tentando se organizar nos vários partidos de oposição que se delineavam, formamos uma Frente pluripartidária de oposição dos militantes negros contra os vereadores e deputados adesistas de Paulo Maluf.
O único companheiro que tinha mandato na cidade de São Paulo em 1980 era o camarada Benedito Cintra, as reuniões que se iniciaram num escritório de advocacia da Rua Líbero Badaró 92, transformou-se num quilombo de resistência no Gabinete do então vereador Benedito Cintra do PMDB.
Com inúmeros companheiros, como o ex-deputado e prefeito cassado de Santos Esmeraldo Tarquinio, Oscarlino Marçal, Abdias do Nascimento vindo do Rio de Janeiro, professor Eduardo de Oliveira o vereador João Bosco da Silva de São José dos Campos, e tantos companheiros  que não consigo citar todos de memória, mas alguns não posso esquecer como Ronaldo Simões, Mário Assunção, Nivaldo Santana,  professor Hélio Santos, Milton Santos, Alberto Alves da Silva Filho (Betinho da Nenê) Antonio Carlos Arruda , os irmãos Celso e Wilson Pudente, Valdir e Jurandir Nogueira criamos a FRENAPO (Frente Negra para Ação Política de Oposição).
Viriamos a apoiar a candidatura de Franco Montoro em 1982 à Governador na primeira eleição direta, mas isso já é outra história…
Uma simples poesia chamava para a convocação no Plenário da Assembléia Legislativa.

FRENAPO

“Um dia quero cantar teu nome

com a força de outros nomes

simbólicos peso na minha vida

com a ação de luta e respeito

forjados nas bigornas diárias da vida

e quando perguntarem: -Conhece?

Apenas simplesmente direi:

- Sim, estive lá eu lutei!”

Hugo Ferreira 16/6/1980

Durante a Ditadura Militar quando éramos oposição

 

“- Sim, estive lá eu lutei!”
(Convocatória para o lançamento de fundação da FRENAPO 16/6/1980)
Hoje 9 de janeiro de 2015 completa 62 anos o irmão e camarada Benedito Cintra, vindo de movimentos de base da periferia nos anos de 1973 e 74 no Movimento Contra a Carestia. Elegeu-se vereador em 1976 com 20 anos pelo MDB partido de oposição à Ditadura. Na época o PC do B era um partido clandestino. Cintra participava do diretório do MDB, da Freguesia do Ó, eu no Diretório de Santa Efigênia, eu não participava de “partidos organizados” (como se falava na época) era da chamada esquerda independente. A eleição controlada pela Ditadura os prefeitos eram nomeados pelo Governador , dos candidatos à vereador apareciam pequenas fotos e um mínimo currículo. Votei na foto 3/4 do Cintra, sem conhecê-lo pessoalmente, mas por sua história de luta e militância.

Conselho Posse 2

Posse do Conselho de Desenvolvimento e Participação da  Comunidade Negra de São Paulo no governo Franco Montoro

Quando em 1980 Paulo Maluf era o então governador eleito indiretamente iniciou a proposta da mudança da Capital de São Paulo para o interior do estado, os representantes (deputados e vereadores de SP) da então chamada “comunidade negros” eleitos pelo MDB que fora extinto em 1979 com o fim do bipartidarismo, apoiaram Maluf e entraram para o PDS sigla que continuava a trajetória da ARENA, nós antigos militantes do MDB tentando se organizar nos vários partidos de oposição que se delineavam, formamos uma Frente pluripartidária de oposição dos militantes negros contra os vereadores e deputados adesistas de Paulo Maluf.
O único companheiro que tinha mandato na cidade de São Paulo em 1980 era o camarada Benedito Cintra, as reuniões que se iniciaram num escritório de advocacia da Rua Líbero Badaró 92, transformou-se num quilombo de resistência no Gabinete do então vereador Benedito Cintra do PMDB.
Com inúmeros companheiros, como o ex-deputado e prefeito cassado de Santos Esmeraldo Tarquinio, Oscarlino Marçal, Abdias do Nascimento vindo do Rio de Janeiro, professor Eduardo de Oliveira o vereador João Bosco da Silva de São José dos Campos, e tantos companheiros  que não consigo citar todos de memória, mas alguns não posso esquecer como Ronaldo Simões, Mário Assunção, Nivaldo Santana,  professor Hélio Santos, Milton Santos, Alberto Alves da Silva Filho (Betinho da Nenê) Antonio Carlos Arruda , os irmãos Celso e Wilson Pudente, Valdir e Jurandir Nogueira criamos a FRENAPO (Frente Negra para Ação Política de Oposição).
Viriamos a apoiar a candidatura de Franco Montoro em 1982 à Governador na primeira eleição direta, mas isso já é outra história…
Uma simples poesia chamava para a convocação no Plenário da Assembléia Legislativa.

FRENAPO

“Um dia quero cantar teu nome

com a força de outros nomes

simbólicos peso na minha vida

com a ação de luta e respeito

forjados nas bigornas diárias da vida

e quando perguntarem: -Conhece?

Apenas simplesmente direi:

- Sim, estive lá eu lutei!”

Hugo Ferreira 16/6/1980

sábado, 9 de agosto de 2014

Evolução Humana - 10 Perguntas

Teóricos antigos, Charles Darwin, a genética e a ciência moderna ainda não foram capazes de solucionar completamente os mistérios relacionados à nossa evolução. Existe sólido conhecimento produzido sobre os conceitos de evolução, mas o senso comum ainda desconhece a maior parte deles. Confira uma lista com dez destes pontos obscuros.

10 – Por que não somos mais parecidos com os macacos?

Coloque lado a lado o DNA do homem e o do chimpanzé e você descobrirá que existe uma diferença de pouco mais de 1% entre nós e eles. Até as cadeias de cromossomos de ratos e camundongos, por exemplo, têm menos em comum entre si do que nós e os outros primatas. Apesar disso, somos muito diferentes.

A principal razão para isso é a própria genética. Quando se trata de cadeias de DNA, uma ínfima mudança de ordem pode incorrer em uma grande alteração no fenótipo. Apenas 1% difere entre chimpanzés e humanos, mas estas alterações se espalham por 80% dos nossos cerca de 30 mil genes. Dessa maneira, fica fácil haver duas espécies completamente distintas.

9 – Por que nos tornamos bípedes?

Os ancestrais do homem são bípedes há muito mais tempo do que se imagina. Darwin sugeriu que o ser humano passou a caminhar sobre duas pernas com o intuito biológico de deixar as mãos livres para a confecção de ferramentas. Cientistas posteriores, no entanto, derrubaram essa tese ao afirmar que o bipedalismo é 4 milhões de anos mais antigo que as primeiras ferramentas, logo, uma coisa está desvinculada da outra.

Um exame evolutivo mais apurado, feito por vários pesquisadores, mostra que há várias razões para que nós tenhamos deixado de ser quadrúpedes. Em parte, pode haver vínculo com a velha seleção natural, em que os bípedes levavam vantagem entre brigar melhor, economia de energia ao se movimentar, etc. O bipedalismo teria começado em árvores ou outros ambientes em que os quadrúpedes precisam de maior habilidade de locomoção.

8 – Por que o desenvolvimento tecnológico foi tão lento?

Uma descoberta relativamente recente (há cerca de duas décadas), em Afar, na Etiópia, mudou o modo como os cientistas enxergam a evolução dos instrumentos manuais. Lascas de pedra neste local foram datadas de 2,6 milhões de anos, muito mais antigamente do que se imaginava. A nova questão a intrigar os pesquisadores passou a ser o motivo de a revolução tecnológica seguinte levar tanto tempo para acontecer.

Uma das razões foi o lento amadurecimento do sistema nervoso central. Nos dois milhões de anos posteriores ao aparecimento das primeiras ferramentas, o cérebro humano dobrou de volume, atingindo 900 centímetros cúbicos. Entre os ganhos neste aumento, incluem-se as capacidades motoras, o que propiciou a evolução.

7 – Quando desenvolvemos a linguagem?

Anatomicamente falando, o Homo sapiens não foi a única espécie do mundo a ter habilidade para a fala. Os Neandertais tinham língua e estrutruras vocais e respiratórias próprias para a função de se comunicar, e indícios apontam para a existência de fala na espécie há cerca de 500 mil anos. O pontapé inicial da comunicação pode estar por volta desta época.

Apesar de não propriamente falarem, no entanto, hominídeos que teriam vivido na Terra algumas centenas de milhares de anos antes já gesticulavam. Ainda antes da fala em si, seu corpo já apresentava um órgão primitivo que se assemelhava a uma “caixa de voz”, e permitia a emissão de sons altos.

6 – Por que nosso cérebro é tão grande?

Alguns primatas, durante sua linha evolutiva, desenvolveram fortes músculos na mandíbula. Isso amplia a pressão sobre o crânio, inibindo o desenvolvimento físico do cérebro. O ancestral do ser humano, há cerca de dois milhões de anos, tomou o sentido contrário: uma mutação genética favoreceu o crescimento do cérebro.

Pouca gente imagina, mas um cérebro bem desenvolvido é literalmente faminto, ou seja, foi preciso que os hominídeos desenvolvessem uma dieta mais rica em vários nutrientes (derivados da carne, inclusive) para ampliar o próprio potencial.

5 – Por que somos pelados?

Uma ideia já levantada para o fato de os hominídeos terem perdido os pelos foi o fato de entrarem mais na água (em rios e lagos). Com a mudança de adaptação à temperatura externa, teríamos perdido a necessidade de tanta “cobertura”. A teoria mais aceita, no entanto, defende que nos livramos dos pelos porque estávamos superaquecendo, e não nos resfriando.

Enquanto nos restringimos a florestas tropicais, onde a temperatura é amena devido à cobertura vegetal, ser peludo não era problema. Mas a partir do momento em que nossos ancestrais passaram a habitar áreas abertas e com a mesma alta temperatura, o único artifício para resfriamento corporal era o suor. Nesta etapa, os pelos se tornaram um entrave evolutivo, e foram pouco a pouco descartados.

4 – Como aconteceu nossa diáspora?

Já é famosa a postulação de que os hominídeos partiram da África em direção a outras regiões do planeta. Há cerca de 1,8 milhões de anos houve ancestrais na Ásia e há uns 800 mil na Europa, mas estas espécies primitivas foram extintas. O ser humano se expandiu a partir do continente africano há cerca de 65 mil anos, um feito inédito para qualquer espécie animal.

Uma das explicações para a diáspora foi a instabilidade climática que a África vivenciava naquela época. O que estimulou o crescimento populacional foram as conquistas materiais dos hominídeos, tais como o domínio do fogo e tecnologias rudimentares de defesa, transporte e obtenção de alimento. O fato de andar, conforme explicam os cientistas, não era suficiente. Era preciso saber transformar os novos ambientes conquistados.

3 – Alguns humanos podem ser “híbridos”

A ideia de que todos os humanos de hoje possuem uma genética descendente de um ancestral único parece ser um erro. Estudos recentes mostram que os melanésios (etnia que habita ilhas no Pacífico Sul) têm 7% dos genes derivados do Hominídeo de Denisova, espécie primitiva descoberta recentemente, que teria sido extinta na região onde hoje está a Sibéria, na Rússia.

Isso significa que diferentes espécies ancestrais do homem teriam acasalado entre si, e algumas diferenças de DNA permanecem até hoje. Dessa maneira, a grosso modo, nem todos seríamos completamente Homo sapiens. Mas estas teorias nunca foram completamente confirmadas e ainda enfrentam grande contestação da comunidade científica.

2 – Ainda há outros hominídeos vivos hoje?

Provavelmente não. Embora haja lendas tais como o “Pé Grande” ou o Iéti (abominável homem das neves), de criaturas que lembram humanos, nada passou perto de ser comprovado. As supostas pegadas do Pé Grande (que habitaria a América do Norte), por exemplo, parecem ter sido simplesmente impressas por ursos, de acordo com pesquisas recentes.

Apesar disso, alguns sinais apontam para a ideia de que certas espécies coexistiram com o Homo sapiensmesmo depois que ele já havia superado os estágios evolutivos e as espécies primitivas “clássicas”, como oHomo erectus, já estavam extintas há muito tempo. Uma delas, o Homo florensis, foi descoberta da Ilha de Flores, na Indonésia, e teria vivido há até 18 mil anos atrás.

1 – Nós matamos os Neandertais?

Aparentemente, a culpa para a extinçao dos Neandertais recai justamente sobre os ancestrais do Homo sapiens moderno. Os Neandertais teriam se instalado há mais de cem mil anos em cavernas da Rocha de Gibraltar, na Espanha, e de lá se espalharam pela Europa e Ásia. Quando chegou a nossa vez de se expandir a partir da África, no entando, teríamos levado doenças que dizimaram pouco a pouco os Neandertais, até sua extinção há cerca de 24 mil anos.

O cérebro deles, conforme apontam os estudos, era de tamanho semelhante ao nosso. O que determinou nossa “vitória” sobre eles na face da Terra, no entanto, teria sido diferentes atribuições da massa cerebral: enquanto eles dedicavam boa parte a habilidades como a visão noturna, nosso cérebro foi programado para tarefas mais versáteis em termos de adaptação. Dessa maneira, eles sucumbiram. [NewScientist]

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Entendendo os 400 anos de escravidão no Brasil

Reflexão sobre a formação da sociedade brasileira

Segundo episódio da série - Lutas doc, "Recursos humanos", volta-se para a escravidão e revela as cicatrizes sociais com suas tensões, ambiguidades e a dificuldade de passar das palavras a atos de transformação.

 

Recursos Humanos lutas

A série Lutas.doc, que faz uma reflexão profunda sobre a história da sociedade brasileira e o papel da violência na formação do povo. Dirigido por Luiz Bolognesi e Daniel Augusto, o documentário tem um ritmo dinâmico e utiliza recursos de animação, trechos de filmes, informação, entrevistas e análise. Os cinco episódios combinam densidade de reflexão com linguagem acessível, uma atração especial para o público jovem.

Grandes pensadores brasileiros, personalidades da política e da cultura do país, além de outros cidadãos, abordam várias facetas da violência no Brasil. Os depoimentos são intercalados por desenho animado. Essa animação é fruto do trabalho diário de uma equipe de 60 profissionais e levou três anos para ser produzido. Com um olhar crítico e ousado, duas dezenas de entrevistados passam em revista a história da sociedade brasileira. Entre eles, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e  Fernando Henrique Cardoso.

Os diretores da série propõem um grande debate e tentam contar a história do Brasil que não se aprende nas escolas.

O mito e o senso comum, segundo o qual o brasileiro é um homem cordial, está no debate, bem como a tese de que o país é um paraíso pacífico e abençoado por Deus.

Segundo episódio da série - Lutas doc, "Recursos humanos":

Lutas. Doc é uma produção da Gullane e da Buriti Filmes.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Documentário “Utopia e Barbárie”

Documentário “Utopia e Barbárie”, do cineasta Silvio Tendler, que se debruçou nos últimos 20 anos sobre o projeto. Partindo da II Guerra Mundial, o filme faz uma revisão nos eventos políticos e econômicos, que desde a metade do século XX elevaram ao risco e até ao desaparecimento dos sonhos de igualdade, de justiça e harmonia, em busca de entender as questões que mobilizam esses dias tumultuados: a utopia e a barbárie.

Filmes4 (1280x720)

 

“Utopia e Barbárie” é percorreu ao todo 15 países: França, Itália, Espanha, Canadá, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Palestina, Argentina, Chile, México, Uruguai, Venezuela e Brasil. Em cada um desses lugares, Tendler documentou os protagonistas e testemunhas da história, os apresentando de forma apartidária, mas sem deixar de trazer um pouco do olhar do cineasta, que completou 64 anos em 12 de março de 2014.

Alguns dos episódios mais polêmicos dos últimos séculos, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki, o Holocausto, a Revolução de Outubro, o ano de 1968 no mundo (Brasil, França, Chile, Argentina, Uruguai, dentre outros), a Operação Condor, a queda do Muro de Berlim e a explosão do neoliberalismo mais canibal que a História já conheceu.

Os sonhos que balizaram o século XX e inauguram o século XXI. Ao longo de quase duas décadas de trabalho, Silvio Tendler fez uma minuciosa pesquisa e reconstruiu parte da história mundial, através do olhar de personagens com abordagens e trajetórias distintas, que ajudaram a compor um rico painel de nossa época. Entrevistados inúmeros intelectuais, como filósofos, teatrólogos, cineastas, escritores, jornalistas, militantes, historiadores, economistas, além de testemunhas e vítimas desses episódios históricos.

Os dramaturgos Amir Haddad, Augusto Boal e Zé Celso Martinez, a economista Dilma Rousseff, o escritor e jornalista Eduardo Galeano, o poeta Ferreira Gullar e o jornalista Franklin Martins foram alguns dos nomes que concederam ao filme emocionantes depoimentos. Diversas vítimas, testemunhas e sobreviventes também narraram suas trajetórias, como a argentina Macarena Gelman e a brasileira nascida em Havana, Naisandy Barret, ambas filhas de desaparecidos políticos, além do estrategista do exército vietnamita, General Giap.

Cineastas de vários países também contribuíram com suas visões, como Denys Arcand (Canadá), Amos Gitai (Israel), Gillo Pontecorvo (Itália), Fernando Solanas (Argentina), Hugo Arévalo (Chile), Marceline Loridan (França), Mohamed Alatar (Palestina), Shin Pei (Japão), além dos cineastas brasileiros Cacá Diegues, Sérgio Santeiro e Marlene França.

Orçado em R$ 1 milhão, o longa-metragem conta com a narração de Letícia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad. A trilha sonora, especialmente composta para o filme, é assinada por Caíque Botkay, BNegão, Marcelo Yuka e pelo grupo Cabruêra.

Silvio Tendler é diretor de O Mundo Mágico dos Trapalhões, que fez um milhão e oitocentos mil espectadores; Jango, fez um milhão e Os Anos JK, oitocentos mil espectadores. Seu longa-metragem, Encontro com Milton Santos, ficou entre os dez documentários mais vistos de 2007. Com seus filmes Silvio ganhou quatro Margaridas de Prata (prêmio dado pela CNBB), seis kikitos (Festival de Gramado) e dois candangos (Festival de Brasília).