sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Disputas étnicas no Sudão

SUDÃO: 5 DÉCADAS DE CONFLITOS ARMADOS E DISPUTAS ÉTNICAS

A globalização pode ter aproximado os povos, mas não eliminou as diferenças. O mundo ficou atônito com a iniciativa de um grupo de rebeldes do Sudão que utilizou o velho e desbotado recurso do seqüestro de avião de passageiros para chamar a atenção aos seus conflitos regionais. Mas pelo que estão lutando? Uns dizem que é pela liberdade, contra a opressão e o genocídio. Quem está no poder afirma que apenas está expulsando aqueles que não querem pertencer à Nação, de volta para seus países de origem. Muita gente morreu, muitos mais foram para o exílio. Não é fácil saber quem fala a verdade, mas vamos tentar mostrar esse quadro de forma um pouco mais nítida.

 

Em pleno agosto de 2008 o mundo ficou perplexo com uma atitude tão anacrônica quanto desorganizada. Rebeldes africanos do Sudão seqüestraram um avião de passageiros, tentaram desviar o vôo para o Egito, onde não tiveram pouso e refugiaram-se na Líbia.

Terroristas seqüestram avião e se proclamam rebeldes: líder do MLS nega envolvimento

Depois de liberarem os passageiros, mantiveram a tripulação como refém e se proclamaram membros do Movimento de Libertação do Sudão. O líder do MLS, Abdul Wahid Mohammed Nur, negou peremptoriamente qualquer relação com o ataque terrorista e com os seqüestradores. Mesmo assim, a atitude de seqüestrar uma aeronave civil, repleta de reféns, já não era vista há tanto tempo que chamou atenção, por seu anacronismo e pela absoluta falta de critérios na busca por uma solução pacífica para os conflitos em que os sudaneses se envolvem em seqüência há mais de 50 anos.

Grande, rico, perdulário e faminto Sudão

Ocupando o 147º IDH/ONU, país gasta mais de U$ 2 Milhões/dia em armas

O Sudão ocupa grande parte da bacia do alto Nilo, desde os contrafortes das Terras Altas da África Oriental até o Sahara. Seu território divide-se em duas regiões bem distintas: uma área desértica ao norte e uma área de savanas e florestas tropicais ao sul. Décimo maior país do planeta, que manifesta influências étnicas e culturais dos países vizinhos. Ao Norte, as populações são árabes e muçulmanas. No Sul, predominam africanos negros, alguns cristãos mas, na sua maioria, pagãos que conservam os dialetos tribais.

O Sudão é hoje o maior país da África, e está em guerra civil há 5 décadas. Praticamente todos os grupos étnicos e religiosos com algum poder participaram e contribuíram com esta guerra que dura toda sua história pós-colonial, começando em 1956.

Omar al-Bashir: condenado por Haia será mesmo vilão?

A política continua sendo dominada por desconfiança, interferência externa e animosidades inflamáveis. Há dúzias de grupos armados por todo o país, cada um com sua própria agenda política. O conflito entre o governo muçulmano e guerrilheiros não-muçulmanos, baseados no sul do território, revela as realidades culturais opostas da Nação. Estamos falando de uma república autoritária onde todo o poder está nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir; ele e o seu partido estão no poder desde o golpe militar de 30 de Junho de 1989.

Nos últimos tempos, um inimigo político atrás do outro vem fechando o cerco em volta dele. O resultado foi uma reordenação rápida e radical da nervosa política do Sudão, dirigida em parte pelo orgulho nacionalista, mas também por medos profundamente arraigados de que a nação venha a cair num caos no estilo Somália, se al-Bashir for retirado do comando.

Minawi: o único, entre os rebeldes, a assinar o Tratado de Paz

O presidente do Sudão (antigamente conhecido como Núbia), foi acusado de genocídio pelo promotor do Tribunal Penal Internacional e difamado em todo o mundo como um incorrigível assassino em massa decidido a massacrar seu próprio povo em Darfur. Mas, dentro do Sudão, seu poder parece, por ora, mais óbvio do que nunca.

Não se entendem nem entre eles

Além do MLS de Mohammed Nur, dois grupos rebeldes que se opõem ao governo se uniram, na

Ahmed Diraige, herdeiro de Darfur

tentativa de agregar simpatia internacional através da Frente de Redenção Nacional, liderado pelo ex-governador de Darfur, Ahmed Diraige, mesmo havendo diferenças étnicas e políticas entre eles.

Tentativas da União Africana – um bloco de países africanos – para encerrar o conflito resultaram em um tratado de paz, assinado em 2006. O governo do Sudão patrocinou o tratado, mas apenas uma facção– a do rebelde Minni Minawi – assinou o acordo.

Desde 2003 que a região de Darfur assiste ao extermínio da população negra, por parte da árabe, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Cartum. A guerra e prolongados períodos de seca já deixaram mais de 2 milhões de mortos. No esforço para "limpar" o oeste do país de "zurgas" - termo que pode ser traduzido como "crioulos"- o governo da Frente Islâmica Nacional já exterminou mais de 400 mil deles e expulsou 2 milhões de "prostitutas" -pelo código muçulmano mulheres que têm relações sexuais fora do matrimônio, mesmo que estupradas, são assim qüalificadas. As milícias racistas simpatizantes do governo de Cartum, conhecidas como Tarzan, adorariam continuar a matar e devastar, no entanto, os povoados negros já foram todos queimados, e todas as mulheres negras já foram estupradas.

Mohammed Nur não reconhece terroristas

Capacidade de renda tão alta quanto desigualdade social

No índice de desenvolvimento humano -IDH, instituído pela ONU para medir desigualdades, o Sudão ocupa 147º lugar no mundo.

Etnia nuba e seus rituais pagãos em desacordo com as leis muçulmanas

Apesar dos 40 milhões de habitantes(que podem ser 60, por falta de estatísticas confiáveis) a densidade demográfica ainda está longe da saturação, com média de 14 hab/km². As taxas de natalidade e de mortalidade são, respectivamente, de 34,53% e 8,97%. A esperança média de vida é de 59 anos.

A economia sudanesa baseia-se na agricultura, sobretudo na exploração de "cash crops" como algodão e óleo de gergelim, em conjunto responsáveis por 40% das receitas de exportação do país. A região sul do país assenta-se sobre considerável bacia de petróleo, com reservas estimadas de 250 milhões de barris e potencial de capacidade de produção diária de 150 mil barris. Desde 1999; a produção crescente de petróleo deu uma nova vida à indústria Sudanesa, fazendo com que o PIB subisse 6,1% em 2003.

O Sudão tem um solo ainda rico em gás natural, ouro, prata, cromo, amianto, manganês, gipsita, mica, zinco, ferro, chumbo, urânio, cobre, cobalto, granito, níquel e alumínio. Embora seja o maior país do continente africano, sua produção agrícola representa apenas 29% do PIB. Os principais produtos de exportação são algodão, combustíveis, óleos e ceras minerais; sementes e grãos; sucos vegetais; peles e a goma arábica.

Relações com o Brasil

O Brasil estabeleceu relações diplomáticas com o Sudão em outubro de 1968. A representação brasileira era feita cumulativamente pela Embaixada no Cairo, enquanto que o Sudão passou a dispor de Embaixada residente em Brasília em 2004, conforme decisão comunicada ao Brasil em novembro do ano anterior. O Embaixador Rahamtalla Mohamed Osman apresentou suas credenciais em abril de 2004. Neste momento o governo brasileiro já dispõe de sede oficial em Cartum.

O comércio entre os dois países ainda é incipiente, mas poderá desenvolver-se igualmente de modo progressivo. Dados preliminares apontam um forte aumento de 2003 para 2004, com as exportações brasileiras passando de sete a quarenta e oito milhões de dólares, enquanto as importações procedentes do Sudão subiram de 31 para 187 mil dólares. A pauta exportadora inclui obras de ferro e aço, caldeiras e aparelhos mecânicos, gorduras e óleos vegetais, fumo e veículos. As importações, bem mais restritas, compreendem peles (mais de 90% em 2004, segundo dados preliminares), gomas e extratos vegetais, bem como sementes e frutos oleaginosos.

por Marco Poli*

Embaixada em Cartum
Hélio Magalhães de Mendonça (Embaixador)
Endereço: Hilton Khartoum, suite 601, P.O. Box 1910 Khartoum - The Republic of Sudan
Telefones
Tel: (249 183)774100
Fax: (249 183) 775793
Cel: (249 9) 13391505

Embaixada do Sudão em Brasília
(República do Sudão) Data Nacional: 1º de janeiro
SE Sr. Rahamtalla Mohamed Osman

http://www.capitalgaucha.com.br/materias/Sudao_1set008.htm

O primeiro genocídio do Século Vinte

Genocídio dos hereros e namaquas
O genocídio dos hereros e namaquas ocorreu no Sudoeste Africano Alemão, onde hoje se localiza a Namíbia, entre 1904 e 1907, durante a partilha de África. É considerado o primeiro genocídio do século XX.

Sudoeste Africano Alemão

Sudoeste Africano Alemão  (atual Namíbia)

A partilha da África pelas potências européias.


Revoltas

Em 1903, algumas das tribos Namaquas se revoltaram, sob a liderança de Hendrik Witbooi, e cerca de 60 colonos alemães foram mortos. Uma série de fatores levou os Hererós a se juntarem a eles em janeiro de 1904.
Hererros enfrentando alemães
Hereros enfrentando alemães
Não surpreendentemente, uma das questões principais foi direito à terra. Os Hererós já tinham cedido mais de um quarto dos seus treze milhões de hectares para os colonos alemães em 1903, e isso foi antes da conclusão da linha férrea Otavi a partir da costa Africana para assentamentos alemães no interior.
A conclusão deste linha tinha tornado as colónias alemãs muito mais acessíveis, e inaugurou uma nova onda de colonização europeia na área. A discussão sobre a possibilidade de criar reservas nativas e colocar os Hereros lá foi mais uma prova do "bom senso" dos colonos alemães sobre a propriedade das terras.
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Samuel Maharero
Em 12 de janeiro de 1904, os hereros, sob a liderança de Samuel Maharero, organizaram uma revolta contra o domínio colonial alemão. Em agosto, o general alemão Lothar von Trotha derrotou os hereros na batalha de Waterberg e dirigiu-os para o deserto de Omaheke, onde a maioria deles morreu de sede. Em outubro, os namaquas também pegaram em armas contra os alemães e foram tratados de forma semelhante. No total, entre 24.000 e 65.000 hererós (todos os valores são estimados como sendo 50% a 70% da população Herero total) e 10.000 namaquas (50% da população total namaqua) morreram.
Sobriventes Herrero
Duas características do genocídio foram a morte por inanição e o envenenamento de poços utilizado contra os hererós e populações namaquas que foram presos no deserto da Namíbia
Em 1985, as Nações Unidas reconheceram a tentativa da Alemanha de exterminar os povos hererós e namaquas do Sudoeste da África como uma das primeiras tentativas de genocídio no século XX. O governo alemão pediu desculpas pelos eventos em 2004. (?)
Mulher Herrero
Mulher Herero em seu traje típico foto atual
Fonte Wikipédia.














Genocídio do povo Nuba

O direito de ser NUBA

Relatórios das Nações Unidas e de agências humanitárias denunciam genocídio, tortura,
saques, seqüestros, violações e islamização
forçada do povo nuba no Sudão

história dessa guerra e da nossa resistência está escrita nos joelhos, sobretudo das mulheres." Essas palavras são de Amna Isiah, mulher nuba responsável pela associação Union of Women (União de Mulheres), que, desde 1987, luta pela sobrevivência de sua gente e contra o governo fundamentalista islâmico do Sudão.

"Os joelhos machucados, cheios de marcas e feridas contam como devemos nos arrastar para nos esconder. Quase toda noite, saímos para levar comida e água aos nossos soldados. É nossa tarefa também transmitir informações a respeito dos ataques: quantas bombas, quantos mortos, quantos sacos de milho queimados, quantos bois roubados ..."

O povo nuba é constituído por cerca de 2 milhões de pessoas, divididas em 52 grupos com línguas diferentes. Um milhão deles vive nos Montes Nuba, um território pouco menor que o Estado de Santa Catarina, situado no centro-oeste do Sudão. Os outros Nuba vivem no exterior ou no norte do país, particularmente na periferia de Cartum, a capital.


Milhares de refugiados esconderam-se durante dois anos, nas montanhas, a fim de escapar da guerra. Só desceram para receber ajuda das Nações Unidas

Maior país da África, como nação independente o Sudão é um típico produto da época colonial. Os árabes do norte foram colocados junto com os negros africanos do sul para formar uma só nação.

O poder político e militar concentra-se no norte e, desde o começo dos anos 80, os povos do sul, em sua maioria cristãos ou pertencentes a religiões tradicionais, conduzem uma guerra regular contra os árabes muçulmanos do norte.

Luta armada - Os Nuba são considerados "pagãos" pelos muçulmanos da capital. Por isso, são perseguidos pelo Exército na tentativa de submetê-los à sharia, a lei islâmica. A resistência contra essa opressão concretizou-se em luta armada desde 1987, ano em que passaram a fazer parte do Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA), que reúne grupos do sul.

A guerra, a seca e os saques no Sudão já causaram a morte de 2 milhões de pessoas. Este é o tamanho de uma tragédia esquecida e pouco noticiada. No começo da guerra civil, o regime de Cartum destruiu totalmente aldeias nuba, saqueou celeiros e dizimou o gado, capturou e executou lideranças comunitárias, professores, agentes de saúde. O objetivo? Provocar medo e insegurança na população, de modo a induzi-la a refugiar-se nos "campos de paz" instituídos pelo governo, que chegam a ser verdadeiros campos de concentração, de espoliação e de extinção da identidade nuba.


Para os Nuba, esta "guerra santa" é incompreensível, visto que entre eles existen muitos cristãos e muçulmanos

Em 1996 a agência African Rights documentou, com uma grande quantidade de provas, a determinação do governo sudanês em exterminar o povo nuba.

No ano seguinte, outro documento apresentado pela Comissão dos Direitos Humanos da ONU, denunciava gravíssimas violações aos direitos humanos: bombardeios aéreos sobre civis indefesos, episódios sistemáticos de redução à escravidão, matança indiscriminada de refugiados, seqüestro de civis e agentes humanitários, campos semeados de minas etc. A lista das violações é extensa.

Em primeiro lugar, nos sentimos parte integrante do povo nuba.
Só depois é que nos sentimos cristãos, muçulmanos ou animistas.

Desde que, há dois anos, começou a extração de petróleo no sul do Sudão, a guerra tornou-se ainda mais brutal por causa dos interesses econômicos envolvidos nesta cobiçada operação. O governo sudanês comprou, provavelmente do Irã, mísseis balísticos de curta distância, que estão sendo usados contra a população.

Para os Nuba, essa jihad (guerra santa) promovida pelo governo de Cartum é algo incompreensível, visto que entre eles existem muitos cristãos e muçulmanos. A pluralidade cultural e religiosa sempre caracterizou esse povo, como também a agilidade com que as pessoas transitam entre as várias culturas. É curioso notar que eles celebram juntos o Natal cristão e o fim do Ramada (festa muçulmana por excelência). "Em primeiro lugar, nos sentimos parte integrante do povo nuba. Só depois é que nos sentimos cristãos, muçulmanos ou animistas", explica Mahmoud Jumula, chefe islâmico da região de Tira.


Soldados do SPLA protegem uma carga de sementes trazidas por uma ONG, porque a população faminta tenta roubá-la para comer

A esse propósito Peter Zakaria Kodi, pastor da Sudan Church of Christ em Kujur, acrescenta: "A religião não é, essencialmentem, uma questão de relações entre pessoas? Os Nuba estavam aqui bem antes da chegada das religiões".

Entre os Nuba, a Igreja católica está em franco crescimento, sobretudo pelo engajamento e pela missão dos catequistas leigos. Por causa da guerra, durante muitos anos as comunidades não puderam contar com a presença de um sacerdote ou de missionário.

Além disso, existem muitos líderes muçulmanos que, apesar das provocações de Cartum, teimam em estreitar laços de amizade com os cristãos. Eles sofreram represálias por suas posições, tendo suas mesquitas queimadas. Os militantes da jihad picharam os muros com a frase: "Se vocês quiserem ser verdadeiros muçulmanos, deixem esse lugar e vão viver nas áreas controladas pelo governo". Mas os muçulmanos solidários com os cristãos rebatem:
"A religião pertence a Deus, não aos homens".

Fonte: http://www.pime.org.br/mundoemissao/direitoshnuba.htm

Nubas marcados para morrer

Marcados para morrer

Sudao_nubasPagasPerseguidas

São cerca de 800 mil e habitam as montanhas da Núbia, na região central do Sudão. Ali, resistem como podem à violenta agressão praticada pelo governo fundamentalista islâmico.
"Jamais deixaremos que pisem em cima de nós, nem queremos ser considerados cidadãos de segunda classe. Aqui em nossas montanhas, estamos lutando contra um tipo de apartheid muito mais perverso que o da África do Sul de até pouco tempo atrás."
Não é difícil ouvir frases como esta da boca dos Nuba. Trata-se de uma reação muito comum ao que há pelo menos oito anos vem sendo feito pelo governo fundamentalista islâmico de Cartum, que está ativamente empenhado em acabar de vez com a cultura e a religião desse povo.
A campanha de perseguição é das piores. Inclui destruição de povoados, queima de igrejas e reclusão em campos de concentração. Quem no mundo se preocupa com a sorte dos Nuba?
Mas de onde vem e quem é esse povo?
Sobre as origens dos Nuba pairam muitas dúvidas no ar. Teriam vindo do Chade ou talvez da Nigéria? Será que não faziam parte de grandes tribos do Sul do Sudão? Teriam algo a ver com a população da antiga Núbia, uma vasta região do nordeste africano, conhecida desde a Antiguidade?
O certo é que a população nuba atual reúne vários grupos étnicos que, ao longo dos séculos, encontraram nas montanhas um refúgio contra os invasores. Trata-se de uma das regiões mais belas da África. Até certo ponto, o isolamento os livrou dos traficantes de escravos e da dominação árabe.

Nubia Localização da Núbia
 
TODOS TÊM DIREITO A UM PEDAÇO DE TERRA


Vivem agrupados em pequenas aldeias nas encostas dos montes. O modo de construção e a posição das cabanas indicam a qual das diversas tribos nubas pertencem os moradores.
Algumas das tribos costumam agrupar as cabanas num grande círculo. São cabanas redondas, bem altas e estreitas, ligadas entre si por paredes de barro. Esses conjuntos de cabanas formam um espetáculo à parte em todo território nuba.
O diâmetro das cabanas atinge em geral 4 metros. As paredes são de barro pisado, e o telhado, de várias camadas de palha. Pode chover à vontade que não entra água. Em geral constrói-se uma cabana para dormir, outra para cozinhar e outra para guardar os mantimentos.
O pastoreio e a agricultura formam a base econômica da sociedade. A posição social é determinada pelo número de animais que cada família possui, embora a criação de gado seja considerada menos importante que a atividade agrícola.
Cada membro da comunidade tem direito a possuir um pedaço de terra. Além disso, em torno da cabana sempre haverá um pequeno espaço para um quintal ou para o cultivo de hortaliças.
As crianças cuidam do gado, levam vacas e cabras para o pasto e prestam atenção para que nenhum animal se perca.
A base da alimentação são os cereais que cultivam. Carne é coisa rara, estando reservada para ocasiões muito especiais. Por exemplo, na celebração do enterro de familiares ou amigos.

Crianças Nuba
Crianças Nuba num acampamento
 
RELIGIÃO COMO FORMA DE RESISTÊNCIA


Em termos religiosos, os Nuba são em grande parte animistas. Tradicionalmente, veneram os espíritos dos mortos, a quem atribuem o bem e o mal que acontecem.
O espírito profundamente religioso desse povo – tanto faz se as pessoas são animistas, cristãs ou muçulmanas – o tem ajudado a se tornar mais forte em sua longa história de resistência contra as agressões externas.
Isolados pelo governo islâmico e abandonados pelo resto do mundo, os Nuba aprenderam a depositar em Deus a confiança.
O fato é que há muito tempo o mundo árabe vem exercendo sobre eles uma forte influência. A história das relações entre Nuba e árabes foi quase sempre muito agitada e sofrida. Historicamente, os Nuba sempre foram considerados pelas autoridades árabes uma raça inferior, de escravos. Eles perderam grande parte de suas terras, as mais férteis do Sudão.
Por causa da pressão do mundo árabe e islâmico, os Nuba estão correndo o risco de perder também seu rico e variado patrimônio cultural, suas tradições e costumes, o mesmo acontecendo com outros povos que habitam o sudão.

 
NUVEM DE MISTÉRIO PAIRA SOBRE OS NUBA
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Escarificações corporais mulher Nuba


Ainda restam, porém, as inúmeras tatuagens que usam pelo corpo, que tanto servem para distinguir uma tribo de outra quanto para realçar a beleza física. Um outro costume é o de cobrir o corpo com cinza, como sinal de resistência, de virilidade e, inclusive, de eternidade.
Também persiste a tradição da luta corporal, que chega a ter um caráter sagrado. É sempre um momento de alegria comunitária e acontece de vez em quando.
No início da luta, os rapazes se observam durante um bom tempo. O prêmio para o vencedor é um ramo de uma árvore típica da região que, ao ser queimado, produz uma cinza branca.
Com a metade da cinza, ele pintará o corpo para o próximo combate. A outra metade, o campeão guarda. Será derramada sobre seu túmulo no dia em que morrer.
Uma nuvem de lenda e mistério paira hoje sobre as montanhas da Núbia, e isso tem uma explicação. É que, atualmente, os turistas podem ir a qualquer lugar do continente negro: podem visitar a prisão onde esteve Nélson Mandela, na África do Sul, ou pescar num autêntico veleiro árabe na costa de Zanzibar, na Tanzânia.
Mas não lhes será possível conhecer os famosos lutadores nubas, que continuam vivendo isolados entre as montanhas da região central do Sudão. Isso tem contribuído para alimentar o mito sobre eles.

GOVERNO CENTRAL PROÍBE DIFERENÇAS


Tolerantes e carinhosos por natureza, os Nuba são donos de uma cultura e um modo de vida surpreendentemente ricos, apesar do isolamento das montanhas.
Prestam um verdadeiro culto à luta corpo a corpo, mas são ao mesmo tempo hábeis artistas. Tocam como ninguém seus instrumentos, amam o canto e a poesia, sabem decorar maravilhosamente suas gamelas, fazem colares de contas e crucifixos talhados à mão.
É um povo diversificado porque formado por uma grande variedade de tribos. Os adultos falam geralmente várias línguas, incluindo o árabe, e estão acostumados a se virar com desenvoltura no labirinto das diferenças culturais existentes em sua sociedade.
Embora existam entre eles cristãos de várias denominações e adeptos da religião tradicional, a grande maioria é de muçulmanos. Porém professam um islamismo diferente, tolerante, de interpretação africana. Cristãos, muçulmanos e fiéis de religiões tradicionais convivem pacificamente, porque a tolerância faz parte da tradição nuba.
Os Nuba se orgulham de sua identidade e independência frente ao governo de Cartum, que os persegue com uma repressão sem fim.
É este o drama: o governo considera intolerável o fato de que esse povo, que em grande parte é muçulmano e tem líderes muçulmanos, se revolte contra as determinações que vêm de Cartum.
Não é de hoje que o poder central tenta fazer de todo o Sudão uma república fundamentalista islâmica. E é proibido discordar.
É assim que hoje, por mais lutadores que sejam, os Nuba e seu jeito de viver correm o risco de sumir do mapa.

Por dentro do conflito

A história da atual República Democrática do Sudão, capital Cartum, esteve por vários séculos ligada ao Egito dos faraós.

A partir do século 16, o Sudão setentrional recebe uma maciça imigração de árabes, vindos do Egito, Marrocos e Arábia. Com eles, começa o processo de islamização: a fé muçulmana e a língua árabe se sobrepõem às antigas religiões e culturas.

Atualmente, dois terços dos cerca de 26 milhões de sudaneses são de origem árabe, professam a religião muçulmana e vivem principalmente no Norte do país.

A maioria da população do Sudão meridional – cerca de 7 milhões de pessoas – é negra e pertence a religiões tradicionais ou cristãs.

O Sul sempre ficou à margem das decisões políticas, tendo que resistir a sucessivas investidas de islamização por parte dos vários governos que assumiram o poder de Cartum, desde a independência do país, em 1º de janeiro de 1956.

Nas montanhas da Núbia, a guerra civil contra o governo de Cartum teve início em 1989. Desde então, a área está isolada do resto do mundo. O governo não permite a entrada de ajuda humanitária, nem a presença de observadores internacionais.

Toda a área está sob o controle do Exército Sudanês de Libertação Nacional, o SPLA (a sigla em inglês), que leva em frente a guerra contra o governo de Cartum no Sul do país. O SPLA recebe apoio da população para continuar a resistência armada.

Fonte:

Imagens da internet

Texto: http://ospiti.peacelink.it/zumbi/news/semfro/257/sf257p21.html

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dono da Panair, da TV Exelsior e da Comal perseguido pela ditadura militar

UM EMPRESÁRIO QUE NINGUÉM QUER LEMBRAR
Dono da Panair, da TV Excelsior e da Comal, a maior exportadora de café do Brasil, Mario Wallace Simonsen foi expurgado da história empresarial do País. Por quê? I

 

Está enterrado no cemitério de La Batignolle, em Paris, um ilustre empresário brasileiro de quem ninguém gosta de lembrar: Mario Wallace Simonsen. Ele morreu em fevereiro de 1965, aos 56 anos, depois de ter sido, até pouco antes, o homem mais rico e um dos mais influentes do Brasil. Sobrinho do fundador da Fiesp, este Simonsen era dono, simultaneamente, da mais famosa companhia de aviação do País, a Panair, da emissora de televisão de maior sucesso, a Excelsior, e da Comal, a maior empresa de exportação de café do Brasil, num período em que o café respondia por dois terços das exportações nacionais. Naquele Brasil acanhado do início dos anos 60, isso bastaria para credenciá-lo como príncipe, mas havia mais. O elegante e discreto neto de ingleses, cujos olhos azuis viviam escondidos atrás de lentes fotocromáticas, tinha também duas dezenas de outras empresas, entre as quais a Companhia Melhoramentos e o Banco Noroeste, para citar apenas duas. Ele, sua esposa Baby e seus três filhos – Wallace, John e Mary Lou – viviam envoltos numa aura de realeza que não tem equivalente no Brasil moderno. Apesar disso, Simonsen morreu em Orgevall, um vilarejo próximo a Paris, destituído de quase tudo, inclusive da vontade de viver. Entre uma situação e outra ocorreu uma avalanche. Simonsen perdeu sua esposa para a depressão, foi vítima de uma campanha
de difamação como poucas vezes se viu no Brasil e seus negócios foram arruinados por oito meses de investigação escandalosa no Congresso. Acima de tudo, porém, ele foi atingido pelo golpe de Estado de 1964, que instalou no poder pessoas que o tinham na conta de inimigo. O regime foi implacável com ele. “A ditadura mi-
litar realmente acabou com o Mario”, avalia, 40 anos depois, seu advogado e amigo Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça no governo José Sarney. “Havia a pressão das empresas americanas de café orquestrada por Herbert Levy; havia a Varig que queria abocanhar a Panair e havia os Diários Associados, que tinham ódio da Excelsior. Milico algum agüentaria tanta pressão.”

Destruído, arruinado, morto e enterrado, Simonsen foi rápida e estranhamente esquecido – embora fosse, por várias medidas, um empreendedor notável, movido por convicções à frente do seu tempo. Criou o primeiro supermercado brasileiro, o Sirva-se, e fundou no início dos anos 60 uma empresa chamada Rebratel, que interligou Rio e São Paulo através de um link de microondas inédito na época. Com ele, se transmitiu pela primeira vez ao vivo, do Maracanã, uma partida de futebol entre as seleções paulista e carioca. “A TV Excelsior foi a primeira emissora a ser administrada com visão empresarial”, acrescenta Álvaro Moya, um dos primeiros diretores do conhecido Canal 9 de São Paulo. “Criamos uma grade de programação moderna e em seis meses despontamos em primeiro lugar na audiência. A Globo copiou tudo.”

No mercado de café, onde se concentrava o grosso da sua fortuna, Simonsen arriscou-se a disputar com as grandes companhias americanas o espaço da distribuição internacional. Não se conformava que o Brasil fosse apenas exportador passivo de grãos e montou uma empresa, a Wasin, para atuar agressivamente nos mercados da Europa e dos EUA. A Wasin tinha escritórios nas principais praças comerciais do planeta e representantes em 53 países, da Colômbia ao Burundi. Café era o seu forte, mas também vendia cachaça, feijão, guaraná, frutas e carne seca. No apogeu, diz seu genro, o conde italiano Carlo de Villarosa, a exportadora de Simonsen chegou a movimentar US$ 200 milhões por ano, uma fortuna imensurável para a época. Não obstante, esse empresário pioneiro foi exumado da memória empresarial brasileira. Talvez porque tenha ficado na contramão do regime militar, talvez porque aos beneficiários da sua ruína interessasse enterrar sua memória, o fato é que Simonsen foi expurgado do passado. Ao contrário de outros empresários nacionalistas destruídos pelo Estado, como Delmiro Gouveia e Ireneu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, Simonsen ainda não recebeu o seu quinhão de reconhecimento. Em conversa com DINHEIRO, Mario Amato, o ex-presidente da Fiesp, custou a se lembrar de Simonsen, embora o empresário e sua família fossem uma lenda glamourosa na São Paulo dos anos 60.

Os poucos que se lembram dele associam o nome ao mar de lama represado por Levy durante a CPI da Comal, convocada para investigar supostas irregularidades na comercialização internacional de café. As acusações do deputado, quando transformadas em denúncia do Ministério Público, foram rechaçadas pelo Supremo Tribunal Federal como totalmente fantasiosas em pleno regime militar. Mas as empresas de Simonsen, àquela altura, já tinham sido fechadas, fracionadas ou vendidas. “A Justiça que tarda mas não falha é coisa que não funciona no mercado de crédito e no mundo dos negócios”, diz Saulo Ramos. “Nesse mundo, depois de um tempo o estrago está feito.”

A derrocada do império foi rápida e inesperada. Apanhou a filha mais nova da família em meio a um conto de fadas. Loira e linda, Mary Lou era a musa das colunas sociais nos dois lados do Atlântico. Sua festa de debutante foi realizada em Londres, na presença da rainha da Inglaterra. Seu noivado com o conde Villarosa, aos 17 anos, também foi celebrado em Londres, na embaixada do Brasil. Com seu irmão mais velho, Wallinho, dava-se o mesmo. Alto e tímido, dirigia um espetacular Mercedes esportivo pelas ruas de São Paulo, tinha casa com mordomo em Paris e demons-
trava pouco apreço por dinheiro. Um amigo lembra que Wallinho era capaz de riscar uma ordem de paga-
mento com valor em branco, assiná-la e mandar o beneficiário sacar no banco da família – que pagava. O próprio Wallinho contava, anos depois, que nos tempos de fausto mandava tirar os bancos de aviões da Panair para levar ao exterior os cavalos do seu time de pólo. A morte do pai o encontrou despreparado para o duro mundo dos negócios que o cercava. Sua única experiência vinha da TV Excelsior, onde o experimentalismo artístico predominava sobre as técnicas de gestão. “Éramos muito jovens, muito ingênuos e fomos muito engana-
dos”, diz Mary Lou, que tinha 21 anos na manhã em que encontrou o corpo morto do pai, vítima de um enfarte noturno. A mãe havia morri-
do seis meses antes. “Com a morte do meu pai e todos os problemas que se seguiram, cada um de nós surtou de um jeito”, diz ela.

Um dos mistérios que cerca esta história é o motivo da feroz perseguição que a ditadura moveu contra Simonsen. No encerramento da CPI da Comal, 25 dias depois do golpe, Levy conseguiu que o novo regime cancelasse a licença da empresa para comercialização de café, sem que ela tivesse um único título protestado. Isso arruinou a companhia. Aconteceu o mesmo com a Panair, que teve sua concessão de vôo cassada pelo brigadeiro Eduardo Gomes. Suas rotas e propriedades foram imediatamente apropriadas pela Varig, num açodamento que até hoje espanta quem se debruça sobre o episódio. Depois do golpe, como insistisse em cobrir a repressão do novo regime, a TV Excelsior foi tomada pelos militares e, no Rio de Janeiro, sofreu intervenção do governador Carlos Lacerda, golpista de primeira hora e inimigo declarado de Simonsen. Quando o novo governo, ignorando acordos assinados pela Comal com as autoridades monetárias, concluiu que o Grupo tinha para com o Estado uma dívida de café no valor de US$ 23 milhões, Simonsen ofereceu seu vasto patrimônio como garantia para continuar operando no mercado de grãos. O Banco do Brasil fez as contas e concordou com a proposta, mas, logo em seguida, voltou atrás, sob pressão política. Simonsen ficou com a dívida, sem direito a comercializar café para pagá-la e impedido de afiançar a dívida com seus próprios bens. Desse desencontro numérico, lembra Saulo Ramos, surgiu a execução do BB contra o Grupo. Em 13 de março de 1965 os jornais noticiaram o seqüestro de 30 empresas de Simonsen. Nos 10 anos seguintes, em custosas batalhas legais, os filhos do empresário perderam todas a empresas e propriedades do pai, inclusive um castelo em Alton, na Inglaterra. Do rosário de empresas ficou apenas o banco Noroeste, que Simonsen tivera o cuidado de passar ao irmão Jorge e ao primo Leo Cochrane quando a perseguição política começou. Seus próprios filhos ficaram sem nada.

Se o esforço da ditadura em destruí-lo é evidente, os motivos para isso são menos óbvios. Simonsen não era um homem de esquerda e nem gozava de especial intimidade com Jango Goulart. Como tantos empresários, era governista por necessidade. Em agosto de 1961, quando Jânio renunciou e a direita tentou impedir a posse de seu vice, Simonsen engajou-se ao lado da legalidade, arranjando inimigos entre militares e conspiradores civis. Jango se encontrava na Ásia e disseminou-se a lenda de que ele voltara ao Brasil em um avião da Panair. Não foi assim. DINHEIRO apurou que o dono da Panair estava em Londres quando soube que se tramava contra a posse de Jango. Imediatamente mandou Max Rechulsky, seu mais importante executivo na Europa, interceptar o vice-presidente em sua viagem de retorno da China, para pô-lo a par dos fatos. O encontro deu-se em Zurique. Dali, em vez de seguir para Londres, como era seu plano, Jango voou para Paris com Rechulsky. Hospedou-se no Príncipe de Gales, ao lado do escritório da Wasin. “No nosso escritório ele fez dois telefonemas, um para Santiago Dantas e outro para Juscelino”, contou Rechulsky à DINHEIRO. “A conta de Jango em
Paris foi paga pelo nosso escritório. Não me recordo do montante exato, mas foi bastante.”

Anos mais tarde, Wallinho se queixaria de que Jango não soube honrar o favor. Seu pai estava sendo perseguido na CPI da Comal e Wallinho procurou o presidente. “Ele não fez nada. Só me disse que iria falar com o pessoal do PTB”, lamentaria em conversa com o professor Carlos Henrique Novis, da Universidade de Brasília. Novis fez sua tese de mestrado sobre a derrocada do império Simonsen e conversou longamente com Wallinho. O homem que já fora o playboy mais rico e invejado do Brasil, casado com a mulher mais bonita da época – a socialite carioca Regina Rosemburgo, musa do Cinema Novo – morava no final dos anos 80 em um modesto apartamento da rua da Consolação, em São Paulo, no qual tinha vergonha de receber os amigos. Morreu em 2001. Trinta e seis anos antes, no dia da morte de seu pai, os jornais de São Paulo publicaram um anúncio fúnebre, assinado pelos funcionários da TV Excelsior. Ali se desejava paz, depois de meses de desassossego. “Agora os ódios e as perseguições não o podem mais atingir.”

Por Ivan Martins

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/7952_UM+EMPRESARIO+QUE+NINGUEM+QUER+LEMBRAR

Documentário Panair do Brasil

Sinopse: Panair do Brasil é um documentário que resgata a história da empresa pioneira na aviação comercial brasileira, símbolo de modernidade e eficiência. A empresa viveu o seu auge na era JK. Ao tomar o poder, o regime militar passou a perseguir a Panair do Brasil e seus dirigentes resultando na cassação de suas linhas aéreas em 1965. O filme mostra como a Panair do Brasil sobrevive ainda hoje no coração e na esperança da chamada Família Panair, composta por antigos funcionários e seus descendentes, que sonham com a volta de seus aviões aos céus brasileiros.

 

panair

Panair Do Brasil

Direção: Marco Altberg
Produção: Indiana/M.Altberg Cinema & Vídeo
Ano de produção: 2007
Duração: 70 min
Gênero: Documentário
Nacionalidade: Brasil

Panair do Brasil (2009) - TRAILER OFICIAL

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O corpo de Nefertiti

Nefertiti é solicitada formalmente

O busto da Rainha Nefertiti retirada do Egito de formas duvidosa, em 2003 é perfurado para para uma exposição do Little Warsaw, cujo projeto era composto por uma escultura feminina nua feita de bronze, a qual, no local de seu pescoço existia um vão que serviu para encaixar a cabeça de calcário da rainha.

Em (24/01/2011) o Ministério da Cultura do Egito fez um pedido formal de repatriação do busto da rainha Nefertiti ao Museu Neues (Alemanha).

Depois de negociações que vem se arrastando há décadas o Ministério da Cultura do Egito resolveu fazer uma solicitação formal de devolução do busto da rainha Nefertiti, que saiu do país sob circunstâncias de teor duvidoso durante a triagem de artefatos realizados pelos egípcios e o arqueólogo alemão Ludwig Borchardt em 1912.

Rainha Nefertiti. Foto: M. Busing.

A solicitação foi transmitida através de uma carta destinada ao presidente da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, em Berlim, e o Ministério das Relações Exteriores do Egito para que o envie a embaixada egípcia na Alemanha e o da Alemanha no Cairo.

O busto de Nefertiti é uma das muitas peças requeridas pelo o Egito, mas está no topo da lista pela a luta do repatriamento por que, além de ser um ícone e única, a batalha para a sua devolução se arrasta desde meados do século passado.

Entenda o que aconteceu em 1912

Na época de Ludwig Borchardt os arqueólogos estrangeiros poderiam retirar artefatos encontrados em sua escavação e levá-los para fora do Egito, mas isto somente depois de que os achados passassem por uma avaliação onde os artefatos “mais bonitos” ficariam na África e os menos atraentes sairia do país.

Sabe-se que durante a triagem Borchardt teria já dividido os artefatos em dois grupos onde o lado egípcio estaria com artefatos montados já em uma base, o que chamou a atenção do fiscal que não teria prosseguido com a inspeção acreditando que Borchardt já teria feito todo o trabalho para ele e não examinou o lado que iria para a Alemanha. Logo, o busto saiu do Egito “legalmente”, embora, quando chegou a Alemanha tenha permanecido escondido e ser revelado somente anos depois. 

Até o próprio Hitler se recusou a devolver o busto

Durante o curso da Segunda Guerra acordos diplomáticos para se devolver o busto para o seu país de origem foram realizados, mas Hitler se recusou permanentemente a devolver o artefato. E desde que a Alemanha foi tomada ao final dos conflitos o busto mudou de endereço várias vezes.

Uma atitude que enfureceu os egípcios

Não bastasse a negação em se devolver o busto, em 2003, o Museu de Berlim permitiu que a base do artefato fosse furada para dar entrada a um parafuso para uma exposição do Little Warsaw, cujo projeto era composto por uma escultura feminina nua feita de bronze, a qual, no local de seu pescoço existia um vão que serviu para encaixar a cabeça de calcário da rainha.

Nefertiti / The Body of Nefertiti - 2003. Retirado de Acax.hu -Little Warsaw. Acesso em 24 de janeiro de 2011

Para poder encaixar com a estátua de bronze o busto precisou ser perfurado. Retirado de Little Warsaw. Acesso em 24 de janeiro de 2011

Nefertiti na obra do Little Warsaw. A imagem causou indignação em várias pessoas. Retirado de "The Body of Nefertiti". Acesso em 24 de janeiro de 2011

O governo egípcio diz que não foram consultados sobre este projeto e questionaram fortemente a capacidade do museu de Berlim para cuidar da coleção de artefatos egípcios e consideraram a atitude ofensiva para a imagem da rainha egípcia, além de perigosa, como comentou o embaixador do Egito em Berlim, Mohamed al-Orabi: ”Nós não aceitamos que essa importante estátua da rainha Nefertiti tenha sido posta em risco por esse projeto idiota”[1].

Quais as desculpas para não se repatriar?

Dentre várias justificativas estas foram algumas utilizadas não só pela a Alemanha, mas outros países europeus para não se devolver o busto:

- Países de terceiro mundo não têm capacidade financeira de manter um artefato tão valioso;

- Os egípcios atuais não têm nenhuma ligação com os egípcios da antiguidade, logo, a questão da “herança” ou “patrimônio” não é válida;

- O busto saiu do Egito legalmente;

- O artefato seria danificado durante o transporte;

- Usando o exemplo dos Budas destruídos no Afeganistão os países árabes de governo extremista podem destruir os seus próprios artefatos – mas não podemos esquecer que o busto de Nefertiti quase foi destruído em um bombardeio durante a 2ª Guerra Mundial -. 

Por que repatriar?

- As circunstancias as quais o artefato saiu do Egito sugere que o seu descobridor agiu de má fé com as autoridades egípcias ao esconder o busto da rainha por trás de vários objetos visivelmente menos atraentes do que o do lado egípcio;

- O Egito possui capacidade e tecnologia para guardar o busto no país;

- Embora o patrimônio egípcio seja herança do mundo, sua verdadeira casa é o seu país de origem.

Veja também:

◘ Documentário Nefertiti’s Odyssey (No Brasil “Nefertiti”)

Produzido em 2008 pela National Geographic, conta sobre a história de Ludwig Borchardt e como retirou fortuitamente do artefato do Egito, além de explanar sobre as documentações existentes relacionadas ao caso e o diário de Ludwig Borchardt, onde ele demonstra saber do valor incalculável do busto da rainha para os egípcios e o seu desejo de levá-lo para a Alemanha.  

A Alemanha lança seu primeiro comentário sobre o assunto:  Alemanha nega pedido egípcio

Por Márcia Jamille Costa

Fonte da notícia:

Egipto reclama el regreso de Nefertiti  – Público.es. Disponível em <http://www.publico.es/culturas/357837/egipto-reclama-el-regreso-de-nefertiti> Acesso em 24 de Janeiro de 2011.

Fontes consultadas:

[1] Nefertiti’s Bust Gets a Body, Offending Egyptians Disponível em <http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9905EEDF163BF932A15755C0A9659C8B63> Acesso em 24 de Janeiro de 2011.

Fonte das imagens:

Nefertiti na obra do Little Warsaw. A imagem causou indignação em várias pessoas. Retirado de The Body of Nefertiti. Disponível em <http://www.theintellectualdevotional.com/blog/category/visual-arts/page/4/> acesso em 24 de janeiro de 2011

Nefertiti e Little Warsaw. Retirado de Acax.hu -Little Warsaw. Disponível em <http://www.acax.hu/index.php?pageid=221&language=en > acesso em 24 de janeiro de 2011

Para poder encaixar com a estátua de bronze o busto precisou ser perfurado. Retirado de Little Warsaw. Disponível em <http://www.littlewarsaw.com/displaced_history/img/united_nefertiti.jpg > acesso em 24 de janeiro de 2011

http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/01/24/nefertiti-e-solicitada-formalmente/