sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA DA DIÁSPORA AFRICANA

 

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Autor: Nei Lopes

Obra que reúne, num único volume, uma significativa massa de informações multidiscilplinares sobre o universo da cultura africana e afrodescendentes. Traz ao conhecimento de um público amplo assuntos até agora restritos a especialistas e de difícil acesso ao público leigo. Os verbetes, em ordem alfabética, abrangem uma vasta área de conhecimentos, incluindo personalidades, fatos históricos, países, religiões, fauna, flora, festas, instituições, idiomas, etc

A 'Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana' é o resultado de longos anos de pesquisa minuciosa. Seguindo um rigoroso critério de pesquisa, o livro contém cerca de nove mil verbetes, abordando assuntos dos mais diversos - que vão de biografias a vestuário; de fatos históricos e contemporâneos a acidentes geográficos, flora e fauna; de festas e divertimentos a profissões e atividades. Reúne, assim, num único volume, uma gigantesca massa de informações ligadas à matriz cultural do mundo africano, tornando-as acessíveis a um público amplo.

Com nove mil verbetes, a obra, assinada por Nei Lopes , compositor e escritor, integrante do mundo do samba e militante da causa negra, é um trabalho inédito e pioneiro. Com isso, além de elevar a autoestima da população negra, a obra aparece como referência fundamental entre os modernos estudos sobre o continuum africano na diáspora.

Sambista de sucesso, militante da causa afrodescendente e intelectual com senso prático, Nei Lopes há muito tempo percebeu a carência de uma bibliografia popular brasileira sobre assuntos africanos. Sem vinculação acadêmica, mas autor de 14 livros publicados (mais 2 já no prelo), há cerca de 10 anos ele decidiu produzir uma obra de cunho enciclopédico que reunisse, em um único volume e em forma de dicionário, informações multidisciplinares sobre o universo das culturas africanas, afro-americanas e afro-brasileiras. O resultado dessa inquietação e de longos anos de trabalho é a “Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana”, lançada pela Selo Negro Edições. São nove mil verbetes, abordando assuntos dos mais diversos a partir do ponto de vista brasileiro — de biografias a vestuário; de fatos históricos e clip_image004contemporâneos a acidentes geográficos, flora e fauna; de festas e divertimentos a profissões e atividades.

Um dos grandes objetivos da Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, segundo o autor, é popularizar conhecimentos antes restritos a especialistas, num momento em que ocorrem no Brasil reformas de currículos escolares, em uma perspectiva mais afrocentrada. Nesse sentido, a obra vai muito além dos estereótipos frequentemente associados ao negro brasileiro — cuja participação na formação da cultura nacional é recorrentemente restrita às áreas do folclore, da música, da dança e da culinária. De acordo com Elisa Larkin Nascimento, pesquisadora e cofundadora do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, “a Enciclopédia é um compêndio de informações complexas, aprofundadas e não divorciadas de seu contexto mais amplo, a matriz cultural do mundo africano”.

Outro alvo importante é a autoestima do negro. Para o autor, a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana sinaliza um passo decisivo na reflexão para construção de uma autoestima positiva na emocionalidade do leitor afro-brasileiro. “São referências onde o leitor negro se localiza e se estrutura para construir a tão buscada e quase nunca atingida autoestima”, diz. Nei Lopes lembra que nas publicações disponíveis, o negro parece só ter interesse etnográfico. “Nessas obras, raramente figuram heróis, sábios, grandes homens. Para essas publicações, em geral, o vocábulo ‘negro’ define, no Brasil, mais uma categoria social, já que os ‘grandes homens’, quando afrodescendentes, são apenas ‘nascidos em lar humilde’ e quase nunca efetivamente ‘negros’”.

A paixão e o engajamento nas questões da negritude, independentemente de vínculos acadêmicos, fez com que Nei Lopes, estudioso e pesquisador nato, mergulhasse em um minucioso e rigoroso processo de pesquisa para produzir verbetes curtos e resumidos. A ótica desenvolvida dedica bastante ênfase às biografias de anônimos que fizeram ou fazem parte da história africana, como revolucionários, líderes religiosos e educadores. No que diz respeito à religião de origem africana, o autor procura fechar um círculo de informações no tripé Brasil-Cuba-África.

http://leituranegra.blogspot.com.br/2008/05/enciclopdia-brasileira-da-dispora-negra.html

Aluno cotista ganha Prêmio

Prêmio Inventor a estudante mostra competência de alunos cotistas

Emily é bolsista do programa Permanecer da UFBA

Prêmio entregue no dia 18 de outubro pela Universidade Federal da Bahia UFBA

A aluna Emily Karle dos Santos Conceição, formanda da primeira turma de Farmacêuticos Generalistas da Universidade Federal da Bahia, é uma dos muitos estudantes cotistas responsáveis pelo sucesso a política de Ações Afirmativas implantadas pela UFBA há aproximadamente 10 anos.

 

 

A aluna Emily Karle dos Santos Conceição, formanda da primeira turma de Farmacêuticos Generalistas da Universidade Federal da Bahia, é uma dos muitos estudantes cotistas responsáveis pelo sucesso a política de Ações Afirmativas implantadas pela UFBA há aproximadamente 10 anos. Ela integra o grupo de inventores que a Universidade premiará nesta quinta-feira (18 de outubro), durante solenidade às 19h30 no Salão Nobre do Palácio da Reitoria, na quarta edição do Prêmio Inventor: UFBA Homenageia Seus Inventores. O prêmio atribuído a Emily Karle, pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Criação e Inovação, através do Núcleo de Inovação Tecnológica e da Coordenadoria de Inovação, corresponde ao depósito da patente intitulada "Uso da Amêndoa de Bombacopis retusa, como potencial matéria-prima para fins alimentícios, cosmético, farmacêutico e de obtenção de biodiesel, realizado em 2011.

Técnica em Processos Industriais com Ênfase em Química, Emily Karle concluirá seu curso na UFBA em abril de 2013 e atualmente realiza estágio recebendo bolsa do programa Permanecer, no Instituto de Saúde Coletiva (ISC), integrante do projeto de pesquisa em Análise Situacional da Vigilância Sanitária nas Farmácias e Drogarias do Distrito Sanitário da Liberdade em Salvador e do Projeto de Extensão Projeto Integração SUS-Liberdade - Componente de Vigilância Sanitária. No período de 2008 a 2011 ela cumpriu o programa de Iniciação Científica no Laboratório de Pescado e Cromatografia Aplicada (Lapesca), na Faculdade de Farmácia, e entre 2011 e 2012 foi integrante do Programa de Educação pelo Trabalho (PET-Saúde da Família), projeto previsto no Programa Mais Saúde - Direito de Todos, do Mistério da Saúde. Em 2009 a estudante integrou a equipe vencedora da Etapa Nordeste do Prêmio Técnico Empreendedor, promovido pelo Sebrae, com o projeto Produção de Biofilme a partir da glicerina oriunda da produção de biodiesel".

https://www.ufba.br/noticias/premia%C3%A7%C3%A3o-de-estudante-mostra-compet%C3%AAncia-de-alunos-cotistas

Simulação de venda de escravos

Fato ocorrido em 13 de abril, 2011 -Norfolk, Virgínia (EUA), traz a discussão o legado do sistema escravista.

 

“Venda’ de alunos negros em simulação de leilão de escravos causa polêmica nos EUA”

 

Pintura representando Abraham Lincoln após a vitória na Guerra Civil e a libertação de escravos nos EUA

Aula visava ilustrar papel da escravidão na Guerra Civil dos EUA

'Uma professora em Norfolk, Virgínia (EUA), causou polêmica ao simular um “leilão de escravos” em uma escola americana, numa aula comemorativa aos 150 anos da Guerra Civil americana.

Segundo o Washington Post, a professora Jessica Boyle, que dá aulas para uma sala da 4ª série da escola Sewells Point, separou os alunos brancos dos negros e mestiços – estes últimos foram, então, “vendidos” para seus coleguinhas brancos.

A iniciativa despertou críticas dos pais dos alunos e forçou a escola a pedir desculpas, alegando que Boyle estava bem intencionada, mas agiu de forma “inapropriada”.

“A aula (sobre a Guerra Civil) poderia ter sido pensada com mais cuidado, para não ofender os estudantes ou colocá-los em uma situação desconfortável”, disse em comunicado a diretora da escola, Mary B. Wrushen.

Em entrevistas a uma TV local, alguns pais de alunos e moradores de Norfolk reclamaram do teor “ofensivo” da aula e de os alunos “vendidos” terem sido tratados como “animais”.

Uma mãe, no entanto, defendeu Boyle, por acreditar que a professora só estava tentando “demonstrar” o papel desempenhado pela escravidão como um estopim da Guerra Civil. “Acho que ela não estava tentando ferir (os sentimentos) de ninguém”, disse Tara Woodruff.

A professora, que trabalha na escola há seis anos, não comentou o caso.

A Guerra Civil (1861-1865) foi o confronto mais sangrento ocorrido em território americano, deixando centenas de milhares de mortos. A vitória dos Estados do norte sobre os do sul resultou na abolição da escravidão nos EUA.

Um caso parecido já havia acirrado os ânimos no Estado de Ohio, no mês passado, quando, segundo uma TV local, uma professora do ensino fundamental dividiu sua sala de aula entre escravos e senhores.”

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/04/110413_aula_escravidao_polemica_pai.shtml

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um novo olhar sobre a origem e destino dos escravos

 

Projeto de brasileira lança novo olhar sobre origem e destino de escravos

Ana Alakija | Crédito da foto: Live Smart Videos

Descendende de escravos, Ana Alakija quer ampliar conhecimento sobre a escravatura

Uma jornalista radicada nos Estados Unidos se dedica, há mais de uma década, à missão de registrar e divulgar a história de vítimas da escravidão e o destino de seus descentes.

O objetivo de Ana Alakija, que é descendente de um clã de um antigo reino iorubá, o segundo maior grupo étnico nigeriano, é destacar aspectos pouco explorados pela ensino oficial de história.

“Peço licença aos meus antepassados africanos para quebrar a tradição de passar nossa história oralmente e apresentar suas memórias de forma mais concreta”, disse à BBC Brasil.

Desde 1997, a jornalista vem reunindo informações e documentos coletados no Brasil e também na África - especificamente em Lagos, na Nigéria - para onde um grupo de africanos e descendentes voltou após a abolição da escravatura.

O esforço resultou na produção de um documentário, um livro e uma série de exposições com fotos, documentos e artesanatos que ilustram a trajetória do grupo interconectado pelo Atlântico.

 

Escravidão no Brasil

Estima-se que metade dos cerca de 13 milhões de africanos capturados para servirem de escravos nas Américas tenham sido enviados para o Brasil.

Ana se concentra na história que não é ensinada nas escolas, mostrando as conquistas e as contribuições intelectuais, comerciais e políticas dos africanos à sociedade, antes e depois da escravatura.

Um número expressivo de vítimas, por exemplo, fazia parte da elite política e religiosa iorubá, e esses indivíduos foram vendidos como escravos porque eram prisioneiros de guerra. Isso representa uma perspectiva histórica diferente da ideia de servidão passiva dos escravos que é geralmente contada nas salas de aula, segundo a pesquisadora.

Muitos dos escravos brasileiros alforriados reconquistaram o status social de seus antepassados, tornando-se médicos, advogados, comerciantes, políticos e donos de propriedades, tanto na África quanto no Brasil.

Estima-se que metade dos 13 milhões de africanos capturados na África vieram ao Brasil.

Um exemplo do fenômeno é o destino da própria família Alakija, que conectou os dois continentes mesmo após a abolição da escravatura, em 1888.

“Meus bisavós eram vizinhos na África, mas só se conheceram no Brasil. Meu bisavô reconquistou seu título de nobreza e dinheiro quando voltou à Nigéria, estabelecendo lá uma plantação de algodão com o que aprendeu no Brasil”, disse Ana.

O avô da jornalista, Maxwell Alakija, visitou o Brasil na infância e se apaixonou pelo país. No início do século 20, o filho do próspero fazendeiro decidiu estudar advocacia em Salvador, que já contava com uma renomada faculdade de direito. Na Bahia, ele fez carreira como advogado e teve três filhos. O pai de Ana e sua irmã se dedicaram à medicina, e o irmão deles optou pela engenharia civil.

O objetivo da historiadora é que a preservação e divulgação do papel dos negros na África e nas Américas contribuam com a continuidade dos vínculos originalmente estabelecidos entre esses continentes. "Esse diálogo pode ajudar a criar um entendimento mútuo para os relacionamentos entre brancos e negros nas sociedades modernas e multiculturais”, disse Ana.

O projeto da jornalista é intitulado Memorial Alakija e já está programado para ser promovido nos próximos meses em eventos no Brasil, Nigéria, Estados Unidos e alguns países europeus. “Quero ter um sentimento de missão cumprida”, afirma Ana.

Ligia Hougland

De Washington para a BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121011_brasileira_projeto_africa_brasil_lh.shtml

Rodas de Conversa – 5a. edição

Discussão: Dados a população negra como formadora majoritária da nova classe média.

Pesquisa que aponta população negra como maioria da classe média é tema de debate na SEPPIR

A 5ª edição da série Rodas de Conversa acontece em Brasília, no dia 25 de outubro, e será transmitida online

 

PARTICIPAÇÃO ONLINE.

O próximo encontro da série Rodas de Conversas, da Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), vai discutir dados Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), da Presidência da República, que apresentam a população negra como formadora majoritária da nova classe média.

O encontro acontece na terça-feira (25) a partir das 15h, no auditório térreo do Bloco A, da Esplanada dos Ministérios. Essa quinta edição terá como debatedores o subsecretário da SAE, Ricardo Paes de Barros, e Paula Montagner, Secretária Adjunta de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Para participar, cadastre-se através do email seppir.eventos2012@seppir.gov.br, enviando nome completo e telefone de contato. Também é possível assistir em tempo real e interagir via chat no link: www.aids.gov.br/mediacenter.

O público poderá se inscrever para fazer intervenções durante o encontro, e os internautas poderão interagir enviando perguntas e ponderações através do Chat no endereço www.aids.gov.br/mediacenter.

 

 

http://seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2012/10/pesquisa-que-aponta-populacao-negra-como-maioria-da-classe-media-e-tema-de-debate-na-seppir

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

COTAS sem reserva de vagas, USP fará SEMINÁRIO

USP decide promover debate sobre inclusão social e cotas nas unidades

Conselho Universitário se reuniu nesta terça-feira dia 25 para deliberar o assunto.
Em nota, reitoria afirma que vai promover um grande seminário.

Estudantes da USP fazem manifestação a favor de cotas sociais e raciais na universidade (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)O Conselho Universitário da USP se reuniu nesta terça-feira (25), na sede da reitoria da Universidade de São Paulo, para discutir, entre outras coisas, se adotaria ou não o sistema de cotas no vestibular da Fuvest. Após mais de três horas de reunião, ficou decidido que a universidade vai promover o debate sobre o tema em cada uma de suas unidades de ensino (faculdades e institutos). Por enquanto, nada muda. A USP vai seguir sem reserva de vagas para estudantes cotistas.

Em nota divulgada no início desta noite, a reitoria da USP afirmou: "Como resultado da ampla discussão sobre o tema “Inclusão Social / Cotas”, que fez parte da pauta da sessão do Conselho Universitário,dentre as sugestões apresentadas pelos conselheiros e pelos convidados externos presentes à reunião, houve consenso quanto à promoção de amplo debate sobre inclusão social na USP nos Órgãos Centrais e nas Unidades de Ensino e Pesquisa, bem como a realização de um grande seminário, em que a questão da inclusão social será discutida com maior profundidade e detalhamento junto à comunidade universitária". Ainda não há datas de quando os novos debates serão promovidos.

Estudantes da USP fazem manifestação a favor de cotas sociais e raciais na universidade

A reuniãou levou um grupo de estudantes favoráveis à adoção das cotas a promover um manifesto na frente da sede da reitoria da USP. A universidade não tem sistema de cotas raciais ou sociais que garantiria uma porcentagem das vagas para estudantes cotistas. A USP, por sua vez, dá bônus para candidatos vindos da rede pública pelo Programa de Inclusão Social (Inclusp). Neste ano, 28% dos novos alunos vieram de escolas públicas.

Foi a primeira vez que o Conselho Universitário (composto por representantes das unidades da USP, de professores, funcionários e alunos) debateu o tema desde a criação do Inclusp, em 2005. Em maio deste ano, a Faculdade de Direito da USP aprovou o encaminhamento de uma recomendação para que a USP adote o sistema de cotas raciais. O colegiado, que é o órgão máximo da tradicional faculdade do Largo São Francisco, considera o programa de bônus para estudantes de escolas públicas insuficiente para permitir o acesso de estudantes de negros e de baixa renda a cursos mais concorridos como direito e medicina, por exemplo.

Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) votou pela constitucionalidade do sistema de cotas raciais aplicados por outras instituições, como a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e estendeu a decisão para todo o país.

Há pouco menos de um mês, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei que destina 50% das vagas em universidades federais para estudantes oriundos de escolas públicas. De acordo com a lei, metade das vagas oferecidas serão de ampla concorrência, já a outra metade será reservada por critério de cor, rede de ensino e renda familiar. As universidades terão quatro anos para se adaptarem à lei. Atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais. Além disso, apenas 25 delas possuem reserva de vagas ou sistema de bonificação para estudantes negros, pardos e indígenas.

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/09/usp-decide-promover-debate-sobre-inclusao-social-e-cotas-nas-unidades.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Comparação educacional Finlândia X Brasil

Conheça o melhor sistema educacional do mundo

Como a Finlândia criou, com medidas simples e focadas no professor, o mais invejado sistema educacional

Aula no ensino fundamental: professores com autonomia

Quem entra numa escola na Finlândia se espanta com a simplicidade das instalações. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreendesse também pela exuberância do equipamento didático. Na verdade, na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque, igual a centenas de outras do país, as salas de aula são convencionais, com quadro-negro e, às vezes, um par de computadores. Apesar do despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking do Pisa, a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006, foi aplicado em 400 000 alunos de 57 países. O Brasil disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia. O segredo da boa educação finlandesa realmente não está na parafernália tecnológica, mas numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional. A primeira é o currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras. A segunda é a formação de professores. O título de mestrado é exigido até para os educadores do ensino básico.

Eeva-Maria em aula de música
Dar ênfase à qualidade dos professores foi um dos primeiros passos da reforma educacional que o país implementou a partir dos anos 70, e é nesse quesito que a Finlândia mais tem a ensinar ao Brasil. Quarenta anos atrás, metade da população finlandesa vivia na zona rural. A economia era dependente das flutuações do preço da madeira, já que 55% das exportações vinham da indústria florestal. Além dos bosques que cobrem 75% do território, o país só tinha a oferecer sua mão-de-obra barata. Os finlandeses emigravam em massa para vizinhos ricos, como a Suécia, em busca de melhores condições de vida. Preocupados com a má qualidade das escolas públicas, os pais estavam transferindo os filhos para instituições privadas de ensino. Em alguns desses aspectos, a Finlândia se parecia com o Brasil. A reforma educacional colocou a qualificação dos professores a cargo das universidades, com duração de cinco anos. Hoje, a profissão é disputadíssima (só 10% dos candidatos são aprovados) e usufrui grande prestígio social (é a carreira mais desejada pelos estudantes do ensino médio).
O segundo passo da reforma, em 1985, foi descentralizar o sistema de ensino. Por esse conceito, o professor é o principal responsável pelo desempenho de seus alunos: é ele quem avalia os estudantes, identifica os problemas, busca soluções e analisa os resultados. O Ministério da Educação dá apenas as linhas gerais do conteúdo a ser lecionado. "Isso só é possível porque os professores recebem um treinamento prático específico para saber lidar com tanta independência", disse a VEJA Hannele Niemi, vice-reitora da Universidade de Helsinque, que trabalha com a formação de professores há três décadas. O currículo escolar também é flexível, decidido em conjunto entre professores, administradores, pais e representantes dos alunos. A cada três anos, as metas da escola são negociadas com o Conselho Nacional de Educação, órgão responsável por aplicar as políticas do ministério. "Queremos que os professores e os diretores, que conhecem o dia-a-dia da escola, sejam responsáveis pela educação", diz Reijo Laukkanen, um dos membros mais antigos do Conselho Nacional de Educação.
O governo finlandês faz anualmente um teste com todas as escolas do país e o resultado é entregue ao diretor da instituição, comparando o desempenho de seus alunos com a média nacional. Cabe aos diretores e aos professores decidir como resolver seus fracassos. Esse sistema tem o mérito de fazer com que os professores se sintam motivados para trabalhar. A reforma educacional finlandesa levou três décadas para se consolidar. Pouco a pouco, as crianças voltaram a ser matriculadas nas escolas públicas e as instituições privadas foram incorporadas ao sistema do estado. Hoje, 99% das escolas são públicas e o aluno conta com material escolar, refeições e transporte gratuitos. Cerca de 20% dos estudantes recebem algum tipo de reforço escolar, índice acima da média internacional, de 6%. "Quando um aluno repete, perde toda sua motivação, torna-se amargo e pode até apresentar resultados piores que na primeira tentativa", diz Eeva Penttilä, do departamento de educação da cidade de Helsinque.
O sucesso da educação finlandesa é, em parte, fruto das características únicas do país. A população, de 5,2 milhões de habitantes, é relativamente pequena e homogênea. "Com uma população 35 vezes maior e disparidades regionais e sociais mais acentuadas, o Brasil não conseguiria ter o mesmo padrão de igualdade entre as escolas, como existe na Finlândia", diz João Batista de Oliveira, ex-secretário executivo do Ministério da Educação. O preço do sistema de bem-estar social que assiste o cidadão do berço ao túmulo é uma carga tributária de 43% do PIB, uma das maiores do mundo, mas apenas seis pontos acima da brasileira. Ou seja, trata-se de um estado paquidérmico, mas eficiente. A Finlândia é o país menos corrupto, segundo a Transparência Internacional.
Há quase treze anos na Finlândia, a brasileira Andrea Brandão conhece bem as diferenças entre as duas sociedades. "No Brasil, muita gente acha que algumas profissões, como porteiro, não necessitam de um ensino básico de qualidade", diz. "Na Finlândia, existe um consenso de que todo mundo precisa ter uma educação mínima para ser um cidadão." Andrea é professora de inglês em uma das poucas escolas particulares do país, voltada para a população de fala sueca, que é minoria na Finlândia. Particular, nos "moldes finlandeses", significa que os alunos pagam uma anuidade opcional de 100 euros, pouco mais de 250 reais. A estudante Eeva-Maria Puska, de 16 anos, passa seis horas e meia por dia na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque. Além das disciplinas obrigatórias, ela freqüenta aulas de música, artes e francês, opcionais para os alunos da 9ª série. Mesmo com tantas matérias, Eeva não reclama da carga horária nem, menos ainda, do ambiente: "Gosto dos meus professores, tanto como profissionais quanto como pessoas", afirma. Na sua escola, professores e alunos conversam amigavelmente nos corredores espaçosos e bem iluminados.
A educação de qualidade foi essencial para uma virada na economia finlandesa. A mão-de-obra qualificada permitiu que a eletrônica substituísse a madeira e o papel como principais produtos de exportação. A Finlândia tem hoje o terceiro maior investimento em pesquisa e desenvolvimento do planeta, grande parte feita por empresas privadas. Uma antiga fábrica de papéis e de botas de borracha do interior do país foi o símbolo dessa transformação. A empresa, Nokia, hoje é a maior fabricante mundial de celulares, com 40% do mercado internacional. Juntos, ela e o sistema educacional são os dois maiores orgulhos dos finlandeses.
Finlândia x Brasil
Em comparação com o Brasil, a Finlândia mantém os alunos por mais tempo na escola e investe mais na formação dos professores. O fato de ganharem menos que os brasileiros em proporção à renda per capita nacional demonstra que salário não é a única maneira de estimular professores.

Fonte: Revista Veja-  04/2011